No julgamento do caso, testemunhas sofrem ameaças

Eram 17 horas do dia 13 de maio quando Wagner Barbosa da Silva, então com 19 anos, foi detido, com dois outros rapazes. Dezenas de moradores, incluindo sua mãe, Maria Cristina, juntaram-se para impedir a prisão. Acuados, os dois policiais só conseguiram segurá-lo. Os outros dois fugiram. Wagner foi condenado no dia 17 de agosto a dois anos de prisão por tráfico. Havia três testemunhas de defesa - um casal e uma senhora, todos de meia-idade. A mãe e a advogada do rapaz contam que o juiz Marcello Lopes Guimarães, da 18.ª Vara Criminal da Barra Funda, disse às testemunhas que ou os policiais ou elas teriam de sair presos dali. Perguntou aos policias quem estava mentindo. Eles responderam que eram as testemunhas. "Jamais vou desmerecer a palavra de um policial", concluiu o juiz. A promotora Patrícia Consentino Ferrer ameaçou as testemunhas com processo por falso testemunho, disse a advogada Silvana Andrade dos Santos. "Favelado não tem vez", observa Silvana, que vai recorrer. Ela recebeu R$ 1 mil - fruto de doações dos vizinhos de Wagner, que creem na sua inocência.

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