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No lar de Tata Amaral, tradição e modernidade

Cineasta encontrou o lugar ideal para morar: casa antiga em rua tranqüila perto da Av. Paulista, onde adora passear pela vizinhança

Olívia Fraga, O Estadao de S.Paulo

14 de dezembro de 2007 | 00h00

Foram quase 10 anos de espera para que a cineasta Tata Amaral - diretora do filme e da série de TV Antônia - tivesse a casa com que sempre sonhou. Entre a vizinhança tranqüila das ruas residenciais próximas à Avenida Paulista, a paulistana encontrou em Pinheiros o que buscava: sossego e acesso fácil ao centro nervoso da cidade. O sobradinho onde mora, que passou quatro anos em reforma, está cercado de vilinhas e pelo pequeno comércio - coisas que Tata adora ter por perto. "Eu adoro o clima daqui. Na hora da necessidade, corro comprar alguma coisa na venda", diz ela.Andar pelas vias próximas dá um prazer enorme à Tata. Quase como um bairro dentro de outro, a vizinhança inteira se conhece e se encontra na rua. Fora que as casas de vila, a exemplo do que Tata filmou em Antonia, contam a história de ocupação da capital. É a mistura da tradição das casas dos imigrantes com o dinamismo de morar numa cidade que não pára. "Esses canos aparentes passando por fora da casa, das telhas de barro, é a cara de São Paulo. Gosto dessa autenticidade", comenta a cineasta, que abre as janelas para mostrar a visão que tem das fachadas residenciais coladas à sua.A conexão com o lado de fora é forte. "Outra coisa que adoro é esse corredor, a servidão de passagem que existe tanto nos bairros mais antigos da cidade. Assim a gente não perde a ligação com a vizinhança", conta ela, que ainda sente saudades do seu Francisco, o vizinho da casa dos fundos que se mudou para o interior após a morte da mulher.A história do sobradinho é antiga. E é das mais comuns. Tata, que morou sempre no centro de São Paulo e em apartamentos mais ou menos apertados, diz que se cansou de pagar aluguel e há doze anos conseguiu comprar sua primeira casa, ajudada pelo sogro. Quintal, proximidade com a rua e clima de vila faziam falta.Apesar de adorar a vibração do centro velho de São Paulo, em que viveu quase a vida toda, logo lhe ocorreu procurar uma casa na região de Pinheiros, lugar de onde guarda algumas das recordações mais fortes da infância. "Esse é o bairro da minha avó. Toda a família vivia aqui, meus tios, minhas tias... Uma de minhas parentes ajudava uma mulher que morava nessa mesma rua", lembra Tata.Puxando o fio da memória, ela ainda se lembra das ruelas com chão de terra, mais de 20 anos atrás, onde brincava feliz. Com R$ 70 mil, dinheiro da venda de um apartamento na Rua da Consolação, no centro, quitou a casa onde mora hoje. Isso foi em1996.REVOLUÇÃOAcontece que o estado do imóvel não era dos melhores: havia problemas de hidráulica, de elétrica, e goteiras por toda parte. "A casa rachou, chovia dentro... Era terrível", conta ela. Além disso, as poucas janelas não colaboravam para a entrada do sol, e a casa ficava grande parte do dia na penumbra. Escuro e mal conservado, o lar idealizado por Tata custou outro tanto para virar realidade. "Fiquei aqui por quatro anos, e não estava contente. Resolvi sair e guardar mais dinheiro para reformá-la direito."Foram duas tentativas de reforma. O primeiro projeto foi abandonado porque não tinha a "alma" de Tata. "Não era bem o que queria, e estava meio emperrado nas reformas principais." Da segunda vez, foi chamado o arquiteto Carlos Verna. Ele acertou o tom e provocou revoluções no sobradinho. A edícula sumiu: em seu lugar, surgiu um jardim com hera crescendo na parede, árvores em pequenos vasos e banco de concreto, quintal onde Tata e a filha passam horas brincando com o cão perdigueiro Calvin. O chão das salas e da cozinha é de cimento queimado sem cor, e três janelas de formatos diferentes inundam o térreo de luz. Uma das aberturas é de fato sucessão de blocos vazados de concreto pintado de branco, onde Tata gosta de deixar bibelôs e miniaturas divertidas, como a pequenina panela de pressão e uma câmera de filmagem do tamanho de um copo americano. Verna fez dos quatro dormitórios apenas dois - um para Tata, outro para a filha. Os outros foram unidos, transformando-se em ampla biblioteca, outra sala de estar para a TV e seu escritório. "A reforma foi super aprovada porque a casa ficou muito gostosa. Gosto do trabalho do Carlos porque ele acredita nas mesmas coisas que eu. Sua tese sobre casas populares parte da idéia de que as moradas vão se construindo com o tempo, e vão mudando", diz ela.Quatro anos depois, a casa parece pulsar de vida. Vale dizer: Tata prefere o mutante ao estanque, portanto, há mais mudanças a caminho. Ao mesmo tempo em que explica a sucessão dos cômodos, Tata vai dizendo o que pretende fazer daqui a alguns meses na saleta de entrada - com poltrona, arquivo e cuja estrela é uma rede estendida de fora a fora -, na biblioteca, e segue observando o jardim no corredor lateral.

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