No lugar do memorial, mais ocorrências policiais

PM cadastra moradores para ajudar na vigilância do entorno de Congonhas; residências vazias já foram invadidas e assaltadas

Naiana Oscar, O Estadao de S.Paulo

24 Outubro 2008 | 00h00

A área ainda vazia, cercada por tapumes azuis, ao lado do Aeroporto de Congonhas, traz duas fortes lembranças aos moradores da região. Além do trágico acidente com o Airbus A320 da TAM, ocorrido ali em julho do ano passado, o alerta de que estão menos seguros. Acostumados com a iluminação e com a movimentação no antigo prédio da companhia aérea, quem trabalha ou mora nas redondezas reclama agora do aumento das ocorrências policiais. À noite, o local fica às escuras e muitas vezes sem policiamento. "Essas ruas aqui morreram", diz o mecânico José Fradico, de 57 anos, funcionário de uma oficina vizinha ao local do acidente. Dois dos quatro sobrados interditados que estão em processo de desapropriação chegaram a ser invadidos. O filho da proprietária, Marcelo Chedide, relata que foram furtados fios, louças, portas e torneiras. Depois de um ano esperando que as casas sejam desapropriadas, ele foi informado pela Prefeitura de que receberá o valor dos imóveis até o fim do mês. O governo não confirmou a informação. Como não pode manter uma viatura permanentemente na área, a Polícia Militar está cadastrando moradores que possam colaborar com o trabalho. "Enquanto a Prefeitura não fizer a tal praça os moradores vão continuar se sentindo fragilizados", diz a policial militar Evânia Aparecida Oliveira, responsável pelas visitas comunitárias no bairro. Segundo a Assessoria de Imprensa da Subprefeitura de Santo Amaro, dois vigilantes se revezam na segurança do terreno. Em setembro do ano passado, a Prefeitura prometeu construir ali a Praça dos Ipês-Amarelos, em homenagem às 199 vítimas da tragédia. A inauguração estava prevista para "meados de 2008", mas nada saiu do papel. O governo alega que os parentes das vítimas foram contra a praça e pediram um memorial e que aguarda um projeto. Além disso, o processo de desapropriação dos quatro imóveis e de um posto de gasolina que estão dentro da área não foi concluído.

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