Dida Sampaio/AE
Dida Sampaio/AE

No MA, Lago pode sair e dar lugar a sua mulher

Na mira da Ficha Limpa, ex-governador cassado pensa em escalar Clay Lago, repetindo tática adotada por Roriz no Distrito Federal

Eugênia Lopes / SÃO LUÍS, O Estado de S.Paulo

29 Setembro 2010 | 00h00

O nome de Clay Lago ainda não está no páreo nas eleições do Maranhão, mas poderá ser decisivo na definição do futuro governador do Estado. A exemplo do Distrito Federal, onde Joaquim Roriz (PSC) abriu mão da candidatura em favor da mulher, Weslian, a expectativa é que o ex-governador cassado Jackson Lago (PDT), catalogado como ficha-suja pela Justiça Eleitoral, desista de concorrer ao governo estadual em prol de sua mulher.

A esperança de renúncia de Lago é alimentada por seu adversário do PC do B na disputa pelo governo maranhense, Flávio Dino. Para a campanha de Dino, a renúncia de Lago acabará levando a eleição para segundo turno, beneficiando o candidato do PC do B com a migração de votos.

Integrantes da coordenação da atual governadora e candidata à reeleição, Roseana Sarney (PMDB), também apostam na desistência de Lago na corrida estadual. Diferentemente dos aliados de Dino, o comando da campanha de Roseana acredita que, com a saída de Lago, parte dos votos, principalmente do interior, devem migrar para a campanha da peemedebista.

Segundo os aliados de Roseana, o nome de Flávio Dino, que figura em segundo lugar nas pesquisas de intenção de voto (em empate técnico com Lago), não é muito conhecido no interior do Estado. A estimativa é que uma parcela desse eleitorado acabe votando na peemedebista, que tem seu nome mais conhecido no Maranhão.

Seria o suficiente para que Roseana conseguisse liquidar a fatura ainda no primeiro turno das eleições. O grande temor de sua campanha é que, num eventual segundo turno, se repita o que ocorreu em 2006. Na época, Roseana quase venceu a eleição em primeiro turno - ela obteve 47,2% dos votos válidos, contra 34,3% do candidato do PDT -, mas acabou perdendo para Lago no segundo turno.

A pressão maior para que Lago renuncie vem da oposição. Há o temor que os votos no pedetista acabem anulados, caso o Supremo Tribunal Federal (STF) e o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) considerem sua candidatura ficha-suja.

Em 2009, Lago deixou o governo do Maranhão depois que o TSE julgou que houve abuso de poder na campanha que o elegeu em 2006. Como foi condenado e perdeu o mandato, o Ministério Público pediu a impugnação de sua candidatura com base na Lei da Ficha Limpa. O TSE ainda não julgou o pedido de impugnação da candidatura de Lago, o que pode ocorrer entre hoje e amanhã. O pedetista também aguarda o desfecho de uma decisão do Supremo sobre o assunto. Apesar das pressões, Lago garante que manterá sua candidatura.

Na reta final da campanha, Roseana Sarney não mede esforços para tentar vencer já no primeiro turno. Seu pai, o senador José Sarney (PMDB-AP), não sai do Maranhão e faz sucessivas reuniões com prefeitos e lideranças políticas, principalmente do interior do Estado. Um dos últimos encontros foi na segunda-feira, na casa do senador Clóvis Fecury (DEM), suplente de Roseana no Senado.

Ao mesmo tempo, o comando da campanha de Roseana acirrou o debate e partiu para o ataque, principalmente contra Dino, que vem apresentando crescimento nas últimas pesquisas de intenção de voto. "Todas as pesquisas das últimas duas semanas trazem o crescimento da minha candidatura e ele é confirmado pela onda de ataques da Roseana a mim", diz Flávio Dino.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.