No Mercosul, Lula critica oposição

Em discurso na cúpula dos países do bloco, presidente afirma que oposição, empresários e políticos preferiam acordo com a Alca

Ariel Palacios ENVIADO ESPECIAL SAN JUAN, O Estado de S.Paulo

04 de agosto de 2010 | 00h00

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva aproveitou ontem um evento político internacional, a cúpula do Mercosul na cidade de San Juan, na Argentina, para criticar os partidos de oposição no Brasil que, segundo ele, sempre se posicionavam contra o bloco formado pelos países do Cone Sul.

"A elite no Brasil, alguns empresários e políticos de oposição, se incomodavam com o fato de o Brasil negociar com países que eles achavam muito pequenos", disse Lula. "Eles preferiam um acordo com a Alca (Aliança de Livre Comércio das Américas, liderada pelos Estados Unidos)".

Segundo Lula, os críticos do Mercosul consideravam "perda de tempo" as negociações com os vizinhos de Continente. "Hoje temos orgulho de dizer que o Mercosul tem acordos de um lado com o Egito e de outro com Israel." Mais tarde, em entrevista, o presidente citou o crescimento do comércio do bloco e destacou que com a Argentina o fluxo comercial no primeiro semestre foi de US$ 15 bilhões, um recorde. "Chegaremos aos US$ 30 bilhões este ano", afirmou.

No seu discurso, Lula fez outra referência à situação interna do Brasil ao comentar o processo sucessório. Ele afirmou que o Partido dos Trabalhadores (PT) sairá vitorioso sobre os seus opositores. "A oposição vai perder as eleições", afirmou Lula, sem citar o nome da candidata Dilma Rousseff, do PT.

O público era composto pela presidente argentina Cristina Kirchner, anfitriã da cúpula, e os presidentes Sebastián Piñera, do Chile, o uruguaio José Mujica, o boliviano Evo Morales e o paraguaio Fernando Lugo, além de representantes dos governos do Peru, México, Colômbia e Egito. "Para quem está no governo, oito anos não é nada", disse Lula, em referência a seus dois mandatos consecutivos. "Mas para a oposição, oito anos é uma eternidade!", ironizou, provocando risos. O presidente brasileiro teve cautela em evitar de citar de forma explícita o candidato José Serra, do PSDB.

Na sequência, o presidente começou a frase brincando com o idioma local, ao dizer "entonces (então em espanhol) terei que sair um pouco para contemplar a oposição, que quer disputar uma eleição, embora vá perder".

Lula só fez referência explícita a Dilma Rousseff ao comentar o caso da iraniana Sakineh Ashtiani, condenada à morte por apedrejamento no Irã. "Eu estava em Curitiba em um comício com a minha candidata, que é mulher, quando vi as fotos da iraniana enterrada até o pescoço", comentou.

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