No ''núcleo duro'', só Palocci e Pimentel

Os 2 ministros são consultados por Dilma sobre assuntos econômicos e políticos

João Domingos / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

10 de abril de 2011 | 00h00

O núcleo de confiança formado pela presidente Dilma Rousseff nos primeiros meses de governo é pequeno. Constitui-se de duas pessoas: os ministros Antonio Palocci (Casa Civil) e Fernando Pimentel (Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior). Este, quando não está no Palácio do Planalto com a presidente, despacha a cerca de um quilômetro de distância, na ponta da Esplanada dos Ministérios. Palocci fica mais próximo fisicamente: um andar acima do de Dilma, no próprio palácio.

Ao contrário do ex-presidente Lula, que tinha meia dúzia de ministros assessores, congregados no chamado "núcleo duro", com Dilma todo assunto de governo começa com ela e acaba nos dois ministros.

A Palocci, a presidente delegou a função de ajudá-la a montar o ministério e o segundo e terceiro escalões, além de ficar de olho nos rumos da economia e do funcionamento do governo. Pimentel, embora seja ministro de área técnica, tem uma agenda dilatada de conversas com Dilma, da vagarosa decisão sobre a compra de caças para a Aeronáutica ao noticiário do dia nos jornais, passando pela queda constante do dólar e a necessidade de tirar um pouco mais de proveito das relações comerciais com a China. Eles foram amigos de militância clandestina na esquerda durante a ditadura militar.

Num segundo círculo de proximidade com Dilma estão os ministros Alexandre Padilha (Saúde), Alfredo Nascimento (Transportes), Antonio Patriota (Relações Exteriores), Edison Lobão (Minas e Energia) e Helena Chagas (Comunicação Social).

Padilha encontra-se com a presidente quase toda semana. Dilma tem mostrado especial predileção pelos problemas da pasta, tanto é que quase todos os seus programas de rádio trataram da saúde. Lobão costuma cumprir à risca as orientações da presidente na área de Minas e Energia.

Com Alfredo Nascimento, ela desenvolveu uma amizade que vem dos tempos em que os dois foram ministros de Lula - ele já em Transportes, ela na Casa Civil. Dilma já comentou que Nascimento cuida de uma área problemática, fonte de muitos escândalos no passado, evitando que proliferem no presente. Quanto a Patriota, ela passou a ouvi-lo sobre política externa e tomou agrado pela defesa que faz do respeito aos direitos humanos.

Por fim, com Helena Chagas, assessora durante a campanha, Dilma começou a entender um pouco mais o que ocorre nos meios de comunicação e como funcionam. Ex-diretora da sucursal do jornal O Globo em Brasília e da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Helena conseguiu convencer Dilma a tratar as empresas de comunicação e os jornalistas com respeito. Desse modo, poderia exigir deles o mesmo.

Entre os atuais 37 ministros - outros 3 estão por vir com as novas pastas da Aviação Civil, Autoridade Olímpica e Micro e Pequenas Empresas -, há alguns com os quais a presidente não demonstra a menor afinidade. É o caso de Wagner Rossi (Agricultura), escolha pessoal do vice-presidente Michel Temer, que só conseguiu a primeira audiência com Dilma já no início de abril.

Na lanterna absoluta das preferências está Pedro Novais (Turismo), imposto pelo presidente do Senado, José Sarney (PMDB-AP). Este, além de não conseguir ser recebido pela chefe, ainda viu sua pasta ser levada à situação de penúria pelos cortes feitos no Orçamento da União - perdeu 84,4% de toda sua verba para 2011. Novais foi protagonista de um escândalo antes de assumir o cargo. Como deputado, gastou R$ 2.156 da verba indenizatória da Câmara para bancar gastos em junho de 2010 em um motel em São Luís (MA).

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