No palanque em Minas, Lula põe Hélio Costa em segundo plano

Ao lado do peemedebista que disputa governo local, presidente se empenhou mais em defender a candidatura de Dilma

Marcelo Portela BELO HORIZONTE, O Estado de S.Paulo

11 de agosto de 2010 | 00h00

Em sua estreia na campanha eleitoral oficial em Minas Gerais, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dirigiu sua atenção a defender a candidatura de Dilma Rousseff à Presidência. Apesar de estar no palanque ao lado do candidato da base aliada ao governo mineiro, Hélio Costa (PMDB), e do candidato a vice, o petista Patrus Ananias, o presidente citou o peemedebista só três vezes em seu discurso de 30 minutos, para uma plateia estimada pela Polícia Militar em 12 mil pessoas. Uma delas por sua atuação no Senado e as outras duas, para pedir voto para o aliado mineiro.

"Eu virei muitas outras vezes a Belo Horizonte e irei para a televisão para pedir voto para Hélio Costa e Patrus Ananias sem vacilação", disse. No restante do tempo, porém, Lula deu enfoque à candidatura de Dilma, a quem deu uma rosa no início do discurso. "Se a mulher é tão preciosa no dom da vida como é que pode um homem ter medo de votar em uma mulher, que o criou. O maior legado que posso deixar a este país é não ter tido medo de indicar uma mulher", ressaltou, ao lado da candidata.

Diante de uma faixa da militância que dizia "Lula, já estou com saudade de você", Dilma declarou: "Todos nós temos que ter saudade". O presidente, então, rebateu. "Ela (Dilma) não vai ter saudade de Lula, nem vocês. Vamos ter saudade porque ela poderia ter sido presidente antes", afirmou, acrescentando que ela terá autonomia para fazer o próprio governo. "Se fosse para fazer igual ao Lula, a gente teria brigado pelo terceiro mandato."

O presidente partiu para o ataque contra a oposição. "Tiraram R$ 120 bilhões em quatro anos de meu governo para depois vir dizer que a saúde não está boa", disparou, referindo-se ao fim da CPMF aprovado pelo Congresso. E criticou a forma como foi conduzida a entrevista dada por Dilma ao Jornal Nacional.

"Gentileza". "Conheço debates há muitos anos. Esperava que pelo fato de você ser mulher e candidata, o entrevistador tivesse um pouco mais de gentileza", disse, sobre William Bonner. "Não fique nervosa, não perca as estribeiras, não aceite provocação, porque a verdade nua e crua é que tem muita gente com medo que uma mulher possa provar que tem capacidade."

Já Dilma, em seu discurso, também fez questão de ressaltar sua condição de mulher, além da origem mineira, sempre salientando a ligação com o presidente Lula. "(Vocês vão) se orgulhar de que mais um mineiro chegou ao Palácio do Planalto. E não é um mineiro só. É uma mineira. A primeira mulher presidente."

Ao dizer que teria saudade do governo Lula, Dilma, já se proclamando vencedora, afirmou: "Só uma coisa pode nos consolar. O fato de que ele (presidente) deu a mim a missão de cuidar do que mais ama (o povo brasileiro), de dar continuidade a esse projeto maravilhoso." Ao contrário de Lula, Dilma pediu voto para Costa e Patrus várias vezes, alegando necessidade de sintonia de Minas com o País.

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