No Pará, Dilma terá de encarar palanque duplo

O deputado Jader Barbalho quer que o PMDB rompa com a governadora Ana Júlia, do PT

Carlos Mendes, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2010 | 00h00

As desavenças políticas entre PT e PMDB no Pará poderão criar um fato inusitado na eleição de outubro, quando os dois partidos, aliados no plano nacional, tiverem que receber no Estado a pré-candidata a presidente da República, Dilma Rousseff.

Haverá dois palanques para ela, um da governadora Ana Júlia Carepa (PT) e o outro do deputado federal Jader Barbalho (PMDB). O PMDB defende abertamente o rompimento com a governadora e estimula Jader a enfrentá-la nas urnas como candidato ao governo.

A governadora é acusada de não honrar os compromissos com seus aliados, sobretudo o PMDB, cujo apoio foi decisivo para acabar com a hegemonia de 12 anos do PSDB no poder estadual. Os peemedebistas receberam algumas secretarias de governo, mas os ocupantes alegam que eram punidos com a falta de recursos e vigiados permanentemente por petistas indicados pela própria Ana Júlia.

"A verdade é que nesses três anos e alguns meses nós nunca participamos do governo", define Jader, acrescentando haver grande diferença entre participar de um governo, opinar sobre políticas de governo e ter pessoas empregadas no governo. "O que tivemos foi apenas isso: pessoas empregadas no governo". Pelo tamanho do PMDB no Estado, inclusive decidindo eleições nos últimos 16 anos, Barbalho entende que não interessa ao partido ter vinte ou trinta pessoas empregadas no governo, que não opinam, não interferem na administração onde atuam e que teriam sido "esvaziadas" ao longo do tempo. Ana Júlia não concedeu entrevista ao Estado.

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