James Tavares/Secom SC
James Tavares/Secom SC

No PSD, Colombo quer bancada maior que DEM

Governador catarinense decide trocar de legenda, articula com prefeitos e já pensa em parceria até com o PC do B para as eleições municipais de 2012

Christiane Samarco / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

23 Abril 2011 | 00h00

O governador de Santa Catarina, Raimundo Colombo, vai deixar o DEM e desembarcar no PSD em um prazo máximo de dez dias. Como ele está negociando a troca de legenda com as bancadas estaduais e já se articulou com prefeitos das principais cidades catarinenses, um de seus interlocutores adianta que o governador promoverá um "arrastão" além dos limites do DEM.

A previsão é de que a regional catarinense do PSD nascerá maior que o DEM estadual, porque o governador trabalha para agregar à nova sigla quadros de outros partidos, como ocorre em outros Estados. Sua saída é vista por dirigentes do próprio DEM como uma espécie de golpe final que inviabiliza a sobrevivência do partido.

"Só com a governadora do Rio Grande do Norte, Rosalba Ciarlini, o partido não resiste", afirma um dirigente nacional da legenda. Nos bastidores, ele admite que até o presidente do partido, senador José Agripino (RN), está "catastrófico" quanto ao futuro.

O grupo de Colombo avalia desde já que a simples mudança de sigla pode facilitar-lhes a vida na corrida pelas prefeituras, a partir da capital Florianópolis. Prova disso é que a deputada Ângela Albino (PC do B) já teria sinalizado a possibilidade de uma parceria futura com o PSD do hoje pré-candidato do DEM a prefeito da capital, César Souza Júnior. No DEM, uma aliança entre os dois seria inviável. Já no PSD, a possibilidade de o PC do B entrar na chapa está posta.

Nada mal, em se tratando do terceiro e do quarto colocados na última eleição de prefeito de Florianópolis. O fato político é relevante sobretudo porque os dois primeiros colocados estarão fora da briga em 2012. O prefeito Dário Berger (PMDB) já foi reeleito e o deputado Esperidião Amin (PP), que ficou em segundo lugar em 2008, já disse que não disputa mais.

Fusão. Finalizada a operação Santa Catarina no PSD, a fusão do DEM com o PSDB entrará em pauta como única alternativa para a sobrevida dos parlamentares que não aderiram ao novo partido. Preocupado, o líder do DEM na Câmara, ACM Neto (BA), insiste que a direção partidária ainda confia que Colombo fique na legenda. De qualquer forma, acrescenta que a eventual saída não seria "um golpe de misericórdia". Afinal, raciocina, "estamos falando de um partido nacional, e não local, que continuará tendo vida independentemente de um Estado apenas".

O veredito de ACM Neto em nada se parece com as avaliações feitas em reuniões fechadas da cúpula do DEM. A avaliação geral é a de que o partido não terá vida autônoma depois de tudo isto, mas que é preciso esperar que o novo partido se torne fato concreto para se ter a medida exata do estrago e a partir daí negociar a fusão, sem escancarar a porta para novas adesões ao PSD.

Os catarinenses pressionaram os dirigentes do DEM para antecipar a fusão como condição para permanecerem no partido, mas não foram ouvidos. Em reunião em Florianópolis no final de semana passado, a direção do DEM sustentou que ainda não é hora de tratar de fusão, porque isto seria o mesmo que abrir para todo mundo "janela para o troca-troca de legenda" que Gilberto Kassab montou no DEM ao criar o PSD.

Debandada

5 vices

governadores do DEM, entre eles o de São Paulo, Guilherme Afif, anunciaram que vão se filiar ao PSD. O governador do Amazonas, Omar Aziz, do PMN, também já confirmou que vai acompanhar o prefeito paulista, Gilberto Kassab, na nova legenda

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