No Quênia Lula faz defesa da democracia

Manifestação do presidente veio depois de ter silenciado sobre ditadura da Guiné Equatorial

Leonencio Nossa, O Estado de S.Paulo

07 de julho de 2010 | 00h00

ENVIADO ESPECIAL

NAIROBI

Depois de silenciar sobre a ditadura da Guiné Equatorial, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez referências à política interna do Quênia ? terceiro país que visita em seu giro pela África, marcado por denúncias de corrupção, fraudes e turbulências entre as tribos.

Em discurso ao lado do presidente Mwai Kibaki, na entrada da sede do governo local, Lula citou o primeiro-ministro e opositor de Kibaki, Raila Odinga, que passou por uma cirurgia recentemente. "Desejo uma rápida recuperação do primeiro-ministro Raila Odinga e peço a Deus que ele se recupere para continuar ajudando a consolidar o fortalecimento da democracia no Quênia", afirmou.

No final de 2007 e início de 2008, o Quênia viveu dias de extrema violência. O presidente e então candidato à reeleição, Mwai Kibaki, da etnia kikuyu, foi acusado de fraudar a eleição. As ruas de Nairobi viraram praça de guerra, com centenas de feridos e pelo menos 350 mortes. Após um acordo costurado por personalidades internacionais, os líderes dos principais grupos étnicos criaram a figura do primeiro-ministro, cargo ocupado pelo candidato derrotado no pleito, Raila Odinga, da etnia luo. O Quênia continua sendo um país presidencialista. De 2008 para cá, Kibaki e Odinga mantém uma luta incessante pelo poder.

Lula aproveitou o discurso para defender maior intercâmbio comercial entre o Brasil e o Quênia. Ele observou que o Quênia é o principal país de uma região onde vivem 120 milhões de pessoas. "Quando falamos do Quênia, não estamos falando apenas de um país de 39 milhões de habitantes", disse. O volume negociado entre os dois países passou de R$ 4 milhões em 2003 para R$ 91 milhões em 2009 ? valores considerados ínfimos pelo Itamaraty.

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