No Recife, chuva mata grávida e shows são cancelados

Suspensão de festa no Marco Zero foi por segurança, diz prefeitura; programação deve continuar

Angela Lacerda, O Estadao de S.Paulo

23 Fevereiro 2009 | 00h00

Os shows no principal polo do carnaval recifense, o Marco Zero, foram cancelados na noite de sábado porque fortes chuvas provocaram problemas na estrutura do palco. Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inpe), em 24 horas choveu 122,8 milímetros, quase a média mensal, de 145 mm. O temporal começou no fim da tarde, intensificou-se na madrugada de ontem e, no início da manhã, causou um deslizamento de terra que matou Susana Carlos da Silva, de 43 anos, grávida de 4 meses, no município vizinho de Camaragibe. Uma criança ficou ferida após a queda de uma parede em Jaboatão dos Guararapes, região metropolitana. No Recife não houve vítimas, apenas alagamentos e o transbordamento de um canal. A prefeitura, porém, justificou o cancelamento dos shows como medida de segurança. Após o conserto do palco, a prefeitura prometia manter os shows programados para a noite de ontem, de Lenine, Manu Chao, orquestra do maestro Spok e Siba e a Fuloresta. Apesar de muitos foliões terem ficado frustrados por não assistir aos shows de Silvério Pessoa, Fernanda Abreu, Antonio Nóbrega e Elba Ramalho no sábado à noite, os outros polos de carnaval do centro e da periferia tiveram suas apresentações mantidas, como o Polo Mangue, com música alternativa e de batida eletrônica. Em Olinda, cidade vizinha ao Recife, choveu 102 milímetros de sábado para domingo e foi registrado um deslizamento de barreira. Uma casa foi atingida no bairro de Cajueiro, sem feridos. Todas as ocorrências foram fora do foco da folia. Ontem, ainda caía uma chuva fina em Olinda quando os "super-heróis" começaram a se enfrentar em um ringue móvel armado no Alto da Sé para fazer uma das mais hilárias brincadeiras do carnaval da cidade. Eram 10 horas e tinha início a concentração da agremiação Enquanto Isso na Sala de Justiça, que fez seu 14º desfile de carnaval, atraindo uma multidão. Homem-Aranha, Batman, Hulk, Capitão Caverna, Zorro, O Homem do Gelo e o grupo do Mucha Lucha - responsável pelo ringue - se "digladiaram", dando encontrões, golpes de gravata (uma gravata de verdade que era colocada no pescoço do adversário) e fazendo acrobacias e passos de frevo. Representante do Mucha Lucha, cujo ringue é armado várias vezes durante o percurso do bloco, o jornalista Eduardo Machado resumiu: "A ?lucha? é pela alegria do carnaval." Já conhecido do carnaval olindense, o Homem-Aranha Jall de Oliveira, de 30 anos, estreou no ringue e aprovou a brincadeira. "Nunca me diverti tanto", disse o Homem-Aranha, que nos dias de folia tem costume de surgir de repente, pendurado nas sacadas das casas históricas e nos tetos de igrejas centenárias de Olinda. Tartarugas-Ninjas, Aladim, Superapagado, Superado, Supercontrolada - mulher com caixas de remédio tarja preta - estavam entre os heróis que ao meio-dia começaram o arrastão pelas ladeiras ao som de frevo. Na diversidade cultural do carnaval pernambucano, os Superbregas também compareceram. De roupa preta e violão, o corretor de imóveis Alexandre Moura, de 50 anos, tocava músicas de Reginaldo Rossi enquanto um "assessor" entregava numa bandeja um chapéu com chifres a quem se aproximava. "Quem nunca foi corno?", indagava no meio da bagunça. A folia se espalhou por Olinda, tomada por troças e blocos, numa tarde já sem chuva. Bezerros, a 107 quilômetros do Recife, voltou a duplicar sua população de 60 mil habitantes. Com atraso de duas horas por causa da forte chuva que caiu pela manhã, o desfile de 25 grupos de papangus começou perto do meio-dia, mas só deveria terminar à noite. A brincadeira começou na década de 30, com homens que vestiam máscaras para brincar o carnaval de forma anônima. Gulosos, comiam muito angu - comida à base de milho. Daí o nome. No início eles usavam máscaras de jornal e cola. Hoje a maioria usa fantasias sofisticadas.

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