EFE/NEY DOUGLAS
EFE/NEY DOUGLAS

No Recife, maracatu perde lugar; Galo arrasta multidão nas ruas

Com seis carros alegóricos e 30 trios, festa completa 40 anos; frevo ocupa cada vez mais espaço na folia

Vitor Tavares e Mônica Bernardes, O Estado de S.Paulo

10 Fevereiro 2018 | 22h43

Desta vez, foi difícil pôr em pé o Galo da Madrugada. Com a chuva que caiu na sexta-feira e problemas estruturais, a tradicional montagem do carnaval do Recife foi encerrada com meio dia de atraso. As dificuldades com aquele que é apontado como o maior bloco do mundo exemplificam o momento de transição do carnaval pernambucano, em que o maracatu perde espaço e o tradicional frevo segue ainda mais forte. Neste sábado, como é a tradição, o Galo animou uma multidão nas ruas desde 7 horas da manhã. 

Completando 40 anos, o Galo - que saiu de um público inicial de 75 foliões para reunir cerca de 1,5 milhão por passagem em algumas edições - ganhou tons de verde e laranja. Até o meio dia desta sábado, a estimativa da Polícia Militar já anunciava a presença de mais de 1 milhão.

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Seis carros alegóricos, centenas de passistas, bonecos gigantes e 40 artistas (locais e nacionais) se revezaram neste sábado nos trios, cantando frevo, o ritmo oficial da festa. No total, o cortejo teve mais de 30 trios, percorrendo os seis quilômetros do trajeto oficial. 

A cantora Vanessa da Mata, que fez aniversário neste sábado e é estreante no Galo, foi uma das principais atrações. Elba Ramalho, Alceu Valença e Fafá de Belém também ajudam a comandar a festa. 

Apesar de o frevo ser considerado o símbolo da folia pernambucana, nem sempre ele foi a estrela da abertura. Há 16 anos, o encontro dos maracatus comandava a festa, sempre sob a regência do percussionista Naná Vasconcelos, que morreu em 2016.

Neste ano, já que a data da abertura do carnaval coincidiu com a data oficial de aniversário do frevo, que celebra 111 anos, a prefeitura do Recife resolveu a fazer mudança - alvo de críticas das nações de maracatu, que, tradicionalmente, tem menos visibilidade. O dia do maracatu no Marco Zero foi antecipado para a quinta-feira.

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O músico Marcelo Melo, um dos integrantes e fundadores do Quinteto Violado, defendeu a importância do frevo na abertura do carnaval pernambucano. “Não custava nada o maracatu fazer um dia e o frevo, o outro”, afirmou ao Estado

O show inaugural, que foi pensado para “apresentar” o ritmo, contou com representantes de diversos blocos da cidade, como os tradicionais líricos, e trouxe alguns dos grandes nomes que defendem o frevo atualmente, como os maestros Spok e Forró. Tudo ilustrado com imagens históricas dos antigos carnavais.

Inspiração. O Galo da Madrugada já inspirou o carnaval de outros Estados e até no exterior. Desde 1992, Brasília tem o desfile do Galinho da Madrugada. Outros exemplos são o Galo do Porto, em Porto Alegre, e o Galo na Neve, que nasceu na cidade de Trois-Rivières, em Quebec (Canadá).

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