No regime militar, Ulysses foi anticandidato em antieleição

Em 1973, o regime militar vivia seu auge, e a sucessão do general-presidente Emílio Médici estava decidida. Mesmo assim, o deputado federal Ulysses Guimarães (MDB-SP) lançou-se candidato a presidente - anticandidato, já que sabia não ter chance. Seu objetivo era a denúncia da eleição e da ditadura. "Não é o candidato que vai percorrer o País. É o anticandidato, para denunciar a antieleição, imposta pela anti-Constituição", discursou na Convenção do MDB de 23 de setembro de 1973, que o lançou tendo Barbosa Lima Sobrinho como candidato a vice.

, O Estado de S.Paulo

30 de outubro de 2010 | 00h00

Ulysses e Barbosa percorreram o Brasil, criando fatos políticos. Em 15 de janeiro de 1974, o general Ernesto Geisel foi eleito com 400 votos, contra 75 para Ulysses. Em novembro, o MDB venceu as eleições parlamentares em 16 dos 22 Estados.

"Ulysses assumiu após as eleições de 70, com o MDB dividido entre os autênticos e os que defendiam a autodissolução. Pegou o caminho do meio e construiu o maior partido que o Brasil já teve", diz Maria Celina D"Araújo, da PUC-RJ.

O PMDB chegou ao poder em 1985. Ulysses morreu em 1992, em um acidente de helicóptero no mar de Angra dos Reis.

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