No Rio, 1 em cada 4 assassinatos envolve PM

Instituto de Segurança Pública do Estado mostra queda desse tipo de crime; hoje, Ipea apresenta o mapa da criminalidade na cidade

Fernanda Aranda, O Estadao de S.Paulo

02 de junho de 2009 | 00h00

De cada quatro assassinatos na cidade do Rio no ano passado, um foi registrado durante confrontos com a Polícia Militar. O índice de 24% de mortes concentrado nos casos de violência policial foi mapeado pelas estatísticas do Instituto de Segurança Pública do Rio e será debatido hoje durante seminário do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea). "É um nível altíssimo que vem se repetindo ao longo dos anos", avalia a pesquisadora do Ipea Rute Imanishi Rodrigues, que na apresentação de hoje vai divulgar estudo de sua autoria que revela o "endereço" de todas as formas de criminalidade no Estado do Rio. Rute diz acreditar que a violência policial repercute em outros crimes. "Avalio também que os índices são altos porque faltam órgãos de controle, como uma ouvidoria mais atuante, que poderia inibir os casos."A metodologia de cálculo empregada para mapear a situação do Rio é a mesma utilizada pelo Centro de Estudos de Segurança e Cidadania (Cesec), da Universidade Cândido Mendes. Para fazer a conta são utilizados os números de homicídios dolosos (com intenção de matar), latrocínios (roubo seguido de morte) e também o chamado auto de resistência, que compila as pessoas mortas durante confrontos entre policiais e criminosos. Apesar do índice alarmante de 688 pessoas mortas em 2008, esse delito apresentou redução comparado com 2007, quando foram 902 óbitos. A mesma tendência de queda é registrada neste ano. Foram 75 vítimas no mês de fevereiro e 109 no mesmo mês do ano passado.SÃO PAULOEm São Paulo, segundo os números da Secretaria de Segurança Pública (SSP), no primeiro trimestre deste ano PMs foram responsáveis por 7,39% do total de homicídios. Foram 104 pessoas mortas por homens da corporação, quase uma por dia no Estado. Ainda que a situação paulista seja melhor do que a carioca, é considerada crítica se comparada ao padrão tolerável internacional de mortos pela polícia, que é de 3%. O sociólogo Túlio Kahn, responsável pela Área de Planejamento da SSP paulista, faz a ressalva de que a taxa foi calculada para os países do hemisfério norte, o que a torna imprópria para ser usada no contexto latino-americano, uma vez que " a tendência é de que o confronto entre o criminoso e o policial seja mais acirrado".

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