No Rio, 35 são presos suspeitos de envolvimento com crime organizado

Dentre os detidos, estão 27 policiais, 19 militares e oito civis, incluindo o subsecretário de operações da Secretaria Especial de Ordem Pública da prefeitura do Rio

Marcelo Auler, Márcia Vieira e Pedro Dantas , O Estado de S. Paulo

11 de fevereiro de 2011 | 19h20

RIO - Após um ano e meio de investigações, a Polícia Federal, a Secretaria de Segurança Pública e o Ministério Público do Rio de Janeiro desencadearam nesta sexta-feira, 11, a Operação Guilhotina e prenderam 35 pessoas, entre as quais 27 policiais, 19 militares e oito civis, todos suspeitos de envolvimento com traficantes e milicianos.

 

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Um dos presos é o delegado Carlos Alberto Oliveira, ex-subchefe Operacional da Polícia Civil e até hoje subsecretário de operações da Secretaria Especial de Ordem Pública da prefeitura do Rio. Outros dez mandados de prisão não tinham sido cumpridos até o início da noite.

 

Em entrevista ao Estado, o secretário de Segurança, José Mariano Beltrame, informou que novas operações vão acontecer e que as investigações contra policiais continuam. "No momento em que tem uma operação dessas, eu ouço 45 pessoas, faço algumas ligações. Isso pode ser uma operação aritmética, geométrica e vai embora. E é para isso que eu estou preparado", afirmou. "Quero que o policial sinta-se supervisionado. É uma mudança estrutural", disse o secretário.

 

No início desta semana, Beltrame criou a Superintendência da Contra-Inteligência e entregou ao delegado Cláudio Ferraz, que atuava na Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), a missão de investigar policiais. "Nós tínhamos desafios nestes primeiros anos que já estão postos: UPP, ISP, plano de metas. A sociedade quer outro desafio. Agora esta etapa vai ser muito pior do que a primeira. Eu não vou poder deixar de abordar os assuntos internos", disse Beltrame.

 

Durante a operação, da qual participaram 580 policiais, foram vasculhadas duas delegacias - 17ª DP, em São Cristóvão, e 22ª DP, na Penha, ambas na zona norte -, onde trabalhavam alguns dos presos. Um grupo de mergulhadores da PF procurou, sem sucesso, corpos de possíveis vítimas de milicianos no Piscinão de Ramos e no píer do Iate Clube, no mesmo bairro.

 

Todos os policiais que tiveram prisão temporária decretada pela 32ª Vara Criminal são acusados de negociar armas, drogas e informações com traficantes; darem sustentação a grupos de milicianos; venderem proteção e segurança a casas de prostituição e roubarem moradores e marginais nas comunidades onde realizaram operações de repressão ao tráfico.

 

O delegado Carlos Alberto Oliveira foi citado em alguns telefonemas grampeados com ordem judicial e, embora não seja considerado chefe do grupo, segundo o superintendente da Polícia Federal do Rio, delegado Angelo Gioia, há provas que o ligam a policiais corruptos.

 

O chefe de Polícia Civil, Alan Turnowski, foi interrogado como testemunha sobre sua relação com Oliveira, já que trabalham próximos há 10 anos. No Ministério Público há quem questione se ele desconhecia as relações criminosas de seu ex-subchefe operacional. Ao deixar a sede da PF, Turnowski disse que não ver razão para deixar o cargo. "Isso depende do secretário e do governador. Não tem motivo para eu sair. Não é o momento de sair do cargo. Mas, se sair, saio com a consciência tranquila", afirmou. O chefe de Polícia Civil chamou Oliveira de "traidor". "Policial que pega uma arma e vende para bandido é pior que bandido", disse.

 

A operação começou em setembro 2009, durante operação frustrada na favela da Rocinha, depois de a ação policial ter sido vazada. Durante a ocupação do Complexo do Alemão, em novembro passado, as escutas telefônicas mostraram os policiais investigados recebendo informações de locais onde os traficantes escondiam armas e drogas. Eles foram filmados entrando nestes endereços e, ao saírem, levavam na mochila o material apreendido que não foi entregue nas delegacias.

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