No Rio, Cabral vira alvo de adversários

Troca de acusações entre governo e oposições marca debate entre candidatos

Felipe Werneck / RIO, O Estado de S.Paulo

13 de agosto de 2010 | 00h00

O primeiro debate dos candidatos ao governo do Rio, na TV Bandeirantes, começou com ataques ao governador Sérgio Cabral (PMDB), que disputa a reeleição. Fernando Peregrino (PR), aliado do ex-governador Anthony Garotinho, iniciou a rodada de perguntas indagando se Cabral considerava moral e digno o fato de sua mulher advogar para duas concessionárias de serviços públicos.

"Lamento que você traga esse tipo de assunto para cá. Minha mulher continuará advogada quando eu deixar o governo. É uma advogada respeitada, querida, que tem o apoio da OAB", respondeu Cabral, referindo-se Adriana Ancelmo Cabral, que advoga para a Supervia e o Metrô.

O candidato do PR afirmou que o Estado precisa se recuperar do ponto de vista moral, alegando que Cabral está "confundindo público com privado" e governando "para poderosos". O governador reagiu. "São ilações irresponsáveis."

Cabral acrescentou que Peregrino só está disputando a eleição porque Garotinho "foi impedido pelo Ficha Limpa".

"Lamento profundamente que o candidato do casal Garotinho, cuja prefeita (Rosinha Garotinho, de Campos) acabou de ser cassada, venha falar da moral da minha mulher. O Garotinho deixou a Supervia em petição de miséria. Com a compra de trens, vamos diminuir pela metade o tempo de espera."

Fernando Gabeira (PV) também abordou o tema da primeira-dama, mas afirmou que o problema não é esse, e sim o loteamento político no setor de transportes, que considerou "fatal". "O secretário de Transportes (Júlio Lopes) era dono de escola. Sabia no máximo de transporte escolar."

Em seguida, Peregrino criticou o candidato do PV, a quem chamou de "ex-Gabeira". "É ex-Gabeira porque abriu mão da sua história. Hoje anda atrás do PSDB com pires na mão. Como pretende governar com ética com PSDB e DEM?". O candidato do PV rebateu: "Para chegarmos ao poder não podermos fazer discursos bonitos com romantismo de um século. Não somos mais adolescentes. É preciso se unir para transformar a realidade. Renasci para fazer uma política que muda a vida das pessoas."

Citando reportagem do Estado, Gabeira lembrou decreto de Cabral de 2009 que ampliou a área de construções na Ilha Grande e disse que ele só voltou atrás após o desastre provocado pela chuva no réveillon.

No fim do debate, Cabral disse lamentar o que chamou de "festival de acusações" e o fato de não ter tido a oportunidade debater "temas mais importantes".

Ao chegar à emissora, o governador entrou pelos fundos e evitou enfrentar um grupo de militantes do PR. Dez minutos antes chegara o ex-governador Garotinho, presidente regional do PR e candidato a deputado. Na calçada, cercado por uma claque, Garotinho acusou o atual governo de "corrupto e despreparado".

PELO BRASIL

No DF, principal tema é mensalão

BRASÍLIA

Com participação do ex-senador Joaquim Roriz (PSC), impugnado pelo TRE com base na Lei da Ficha Limpa, o debate no Distrito Federal foi marcado por menções ao mensalão do DEM e do PT. Antes do debate, claques de Roriz e Agnelo Queiroz (PT), vestidas de azul e vermelho respectivamente, trocaram vaias e palavras de ordem.

Na BA, ataque duplo a Wagner

SALVADOR

Os candidatos Paulo Souto (DEM) e Geddel Vieira Lima (PMDB) se uniram nas críticas ao governador Jaques Wagner (PT), que lidera as intenções de voto, com 46%, segundo o Ibope. Apenas nos três primeiros blocos, os candidatos trocaram três perguntas entre si. Geddel e Souto atacaram gastos de Wagner com propaganda.

Copa e saúde em pauta no RN

NATAL

Críticas à atual administração, projetos para a Copa de 2014 e saúde dominaram o debate potiguar. Sandro Pimentel (PSOL) e Roberto Ronconi (PTC) lembraram que o governador e candidato do PSB, Iberê Ferreira, se tratou de câncer em São Paulo. Ferreira se defendeu e assumiu o bônus da Copa no Estado.

Debate não empolga no ES

VITÓRIA

Em debate morno, Renato Casagrande (PSB) e Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB) tentaram convencer o eleitor de que vão manter projetos do governador Paulo Hartung (PMDB). Casagrande elogiou a estrutura para atrair investimentos. Luiz Paulo frisou suas qualidades de administrador (foi prefeito de Vitória duas vezes).

Colombo e Ideli brigam em SC

FLORIANÓPOLIS

Saúde, segurança e educação polarizaram os discursos dos seis candidatos em Santa Catarina. O melhor momento foi a briga entre Raimundo Colombo (DEM) e Ideli Salvatti (PT), sobre a ação do DEM na justiça contra o ProUni e a banda larga. "Muitas pessoas acham que o Brasil foi descoberto pelo PT", ironizou C0lombo.

Lula é a arma de Campos

RECIFE

Candidato à reeleição, o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB) foi o principal alvo do debate e usou seu maior aliado, o presidente Lula, para reverter as críticas dos adversários. Durante o embate, seu principal oponente, Jarbas Vasconcelos (PMDB), aliado de Serra, acusou Campos de "dramatizar as coisas".

Goiás debate reforma pública

GOIÂNIA

Uma polêmica sobre a reforma do Estado , entre Íris Rezende (PMDB) e Marconi Perillo (PSDB) marcou o debate em Goiás. Rezende disse que elas tiraram muitos empregos e Perillo sustentou tudo o que havia feito, dizendo que, se eleito, fará um choque de gestão visando transformar a economia do Estado.

Em Tocantins, PSDB no ataque

PALMAS

O candidato tucano Siqueira Campos(PSDB) passou o debate trocando acusações com o rival Carlos Gaguim(PMDB). Cada um usou seu tempo para destacar suas propostas e enfatizar ações do rival. Gaguim prometeu criar clínicas de saúde para mulheres e Siqueira Campos criticou a atual política de incentivos fiscais.

Tom ameno na disputa no AM

MANAUS

O debate no Amazonas foi ameno. Os dois principais candidatos, o governador Omar Aziz (PMN) e o ex-ministro Alfredo Nascimento (PR), trocaram farpas apenas uma vez. Aziz focou em segurança e educação. Ambos falaram em investimentos no interior e reforço na segurança, em especial nas cidades fronteiriças.

Rivais miram passado em MT

CUIABÁ

O debate em Mato Grosso foi marcado em trocas de farpas entre os postulantes ao governo do Estado. Silval Barbosa (PMDB) lembrou que Mauro Mendes (PSB), quando candidato do ex-governador Blairo Maggi (PR), considerava a saúde a melhor e agora a critica. "Isso é muito estranho", concordou Wilson Santos (PSDB).

Banestado gera polêmica no PR

CURITIBA

Os candidatos Beto Richa (PSDB) e Osmar Dias (PDT), não perderam a oportunidade de se atacar. A privatização do Banestado, que gerou dívida já paga de R$ 8 bilhões e tem o mesmo valor a ser pago, foi levantada por Dias para atingir o Richa que, como deputado estadual, votou a favor da privatização do banco.

Yeda é alvo de estocadas

PORTO ALEGRE

Em sua primeira participação em debates na campanha eleitoral, a governadora do Rio Grande do Sul, Yeda Crusius (PSDB), candidata ao segundo mandato, foi alvo de estocadas de seus adversários no debate de ontem. Eles criticaram a busca do déficit zero e citaram as denúncias de corrupção enfrentadas pelo governo.

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