No Rio, delegacia especializada e força militar

A Nova Cedae (Companhia Estadual de Águas e Esgoto), estatal de saneamento básico do governo fluminense, já arrecadou mais de R$ 4 milhões só em multas administrativas em quase 600 operações de combate aos "gatos" (ligações clandestinas para furtar água) desde janeiro de 2007. De acordo com o presidente da empresa, Wagner Victer, para cada golpe que a equipe de técnicos da Assessoria de Segurança Empresarial da Cedae desmonta, pelo menos cem outros são regularizados. O motivo é o temor, pelos consumidores, de ter de enfrentar uma ação criminal. No Rio, há até uma DP especializada em combater desvios de água e luz, a Delegacia de Defesa dos Serviços Delegados (DDSD)."O combate é feito com participação policial, porque o ?gato? é crime de furto, artigo 155 do Código Penal, que gera processo judicial e tem pena prevista de até 4 anos de prisão. Como ninguém quer ser preso, as pessoas têm medo e regularizam."A empresa usa 25 militares da reserva nas operações de inteligência para mapear locais da cidade onde possam haver ligações clandestinas por meio de fotos feitas por satélite. Por exemplo, escolhem um hotel de luxo, pesquisam num guia de viagens o número de quartos que ele tem, fazem uma estimativa do consumo e conferem com as contas pagas. Se der menos, montam uma operação ali. Há regiões da cidade, como a Barra da Tijuca e o Recreio dos Bandeirantes (zona oeste) em que a receita da empresa subiu entre 20% e 30%.As operações têm nomes curiosos como Gato Chique (áreas de classe média alta), Gato Gordo (churrascarias), Gato Guloso (restaurantes), Gato Mecânico (oficinas), Gato Internado (hospitais). Eles estão dentro da campanha Ser Legal Não Custa Nada, que permite que os clientes regularizem a situação sem pagar nada, caso procurem agências da Cedae. Equipes de vistoria são sempre acompanhadas de policiais. Quando encontram ?gato?, os agentes dão voz de prisão ao dono. "Com essas ações, donos de restaurante de luxo da Barra e do Leblon, síndicos de grandes condomínios e donos de escola já foram detidos e hoje respondem a processo por furto. Tem muita gente com currículo invejável com ficha criminal por furto de água", afirma Victer. Recentemente, Victer, assistindo a um programa de TV, descobriu um "gato". Na atração, uma família expunha toda a sua despesa mensal com a casa. "Percebi que eles não falavam da conta de água. Achei estranho. Fizemos uma batida. Na mesma rua, descobrimos outros 18 casos."

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