No Rio, dois filhos e um sobrinho mortos por PMs

Elizabeth Medina Paulino, de 44 anos, chama a atenção ao participar de manifestações contra a violência. Enquanto outras mulheres vestem camiseta com foto de um parente, Beth ergue dois, às vezes três cartazes - ela teve dois filhos e um sobrinho assassinados, em 6 de dezembro de 2003. Rafael Medina Paulino, de 18 anos, Renan Medina Paulino, de 13, e o primo Bruno Muniz Paulino, de 20, foram espancados por PMs que faziam segurança de uma casa de shows na Baixada Fluminense e mortos a tiros. Seu crime: sair em auxílio a um amigo, o soldado do Exército Geraldo Santana, de 21, que apanhou após ser flagrado urinando no carro do chefe dos guardas. Ele também foi morto."Achava que só garotos de comunidade ou que tinham envolvimento com crime eram mortos por maus policiais", diz Beth. Segundo a investigação da polícia, os PMs, liderados por Henrique Victor de Oliveira, espancaram os jovens e só depois descobriram que um deles era soldado. Para que os garotos não testemunhassem, chamaram um capitão da PM para escoltá-los até o local onde os quatro seriam mortos. Os matadores não contavam com duas coisas: um morador anotou o número do carro da polícia para jogar no bicho, e os garotos eram queridos no bairro. No domingo, 8 de dezembro, vizinhos fecharam a Avenida Brasil. E o Disque-Denúncia recebeu telefonemas indicando o local onde os corpos haviam sido escondidos. Mais de 600 pessoas acompanharam o enterro. Nove policiais foram denunciados. Um morreu, e outro foi absolvido. Oliveira foi condenado a 25 anos e 7 meses. Os outros seis acusados não foram julgados - cinco foram expulsos da PM, mas o capitão que escoltou os colegas está em serviço.

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