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No Rio, familiares de vítimas reclamam de falta de informação

Filho de casal que estava no voo foi informado apenas de 'pane elétrica'; 'pediram para eu aguardar em casa'

Alberto Komatsu, Andrei Netto, Pedro Dantas e Clarissa Thomé, de O Estado de S. Paulo,

01 de junho de 2009 | 18h49

 

RIO E PARIS - Familiares dos passageiros do voo AF477 da Air France q estiveram na sede da Infraero no Aeroporto Internacional Antonio Carlos Jobim (Galeão) na tarde desta segunda-feira, 1.º, reclamavam falta de informações. "Não falaram nada o que aconteceu, só informaram que o avião desapareceu e que ouve uma pane elétrica por volta de 23h30. Pediram para eu aguardar em casa um telefonema da Air France", disse Marco Tulio ao sair da sala que foi montada pela Infraero para os familiares dos passageiros. Seus pais estavam no voo com destino a Paris, que sumiu dos radares na madrugada desta segunda.

 

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Uma das primeiras a chegar, por volta das 8h30, foi a professora Vasthi Ester, de 70 anos. Com as mãos trêmulas, ela buscava informações sobre a filha, Adriana Francisca Van Sluijs, assessora de imprensa da presidência da Petrobras. "Não consegui me despedir, porque moro em Niterói e ficaria tarde. Liguei para minha filha e disse que ela viajaria sob as asas protetoras de Deus. Ela viajaria de Paris a Seul onde participaria da inauguração de um navio. Ainda tenho esperança que o avião tenha aterrissado em algum lugar", afirmou Vasthi. Ela foi levada por funcionários da Infraero para uma área reservada.

 

Os parentes eram enviados para o salão nobre do prédio administrativo onde a Infraero e a Air France disponibilizaram psicólogos para acompanhar as famílias. De lá, eram enviados para o Hotel Windsor, na Barra da Tijuca (zona oeste) onde a Air France alugou 50 quartos para acolher as famílias dos passageiros.

 

"Há um silêncio profundo no salão nobre e um clima de respeito mútuo. Não há muitas informações", disse o funcionário público Bernardo Ciríaco. Ele procurou a Infraero, pois acreditava que o irmão tinha em embarcado no voo AF 447, mas foi informado que ele seguiu num voo anterior.

 

Os familiares do chefe de gabinete do prefeito Eduardo Paes, Marcelo Parente, que viajou com a esposa para Paris, disseram que a única informação disponibilizada até aquele momento era que o avião havia desaparecido. "Fomos recebidos por um funcionário, mas a empresa não tem muitas informações. Este é um momento muito difícil", afirmou um dos irmãos de Marcelo.

 

O cônsul da França no Rio de Janeiro, Hugo Hugues Goisbault, chegou pela manhã no aeroporto e reconheceu dificuldades para entrar em contato com algumas famílias. "Alguns passageiros não preencheram a ficha de embarque e temos pessoas de várias nacionalidades diferentes, como Gâmbia e China", declarou o cônsul. Ele afirmou que entre os franceses do voo AF 447 havia turistas, homens de negócio e franceses que viviam no Brasil. "Eu inclusive conhecia alguns deles. É a maior tragédia dos 70 anos de história da Air France", lamentou.

 

Também muito tenso, Nilton Marinho, irmão do engenheiro mecânico Nelson Marinho, um dos passageiros do 447, se queixava da Air France. "Ligaram para minha cunhada para saber se o casal tinha filhos, para saber dos herdeiros. Foi uma total falta de sensibilidade", protestou Nilton. Ele contou que o irmão trabalha para uma empresa norueguesa e passaria um ano em Angola, a serviço.

 

Durante todo o dia a procura foi grande. As histórias se multiplicavam. Parentes procuravam informações sobre a mulher que viajou com o marido e os pais para Paris. Filhos queriam saber sobre os pais de 70 anos que foram celebrar o aniversário de casamento em Paris. Acompanhada de amigas, uma mulher tentava saber alguma coisa sobre o noivo que embarcou para Paris e de lá iria para Moscou. Até o início da noite, as pessoas continuavam embarcando nos veículos que levavam até o salão nobre.

 

Em contraste com a aflição dos passageiros, o frei Cesar Cardoso Resende, da Paróquia Santa Therezinha, na Tijuca (zona norte do Rio), e um grupo de religiosos estavam aliviados por não terem embarcados no voo AF 447. A agência de viagem mudou a passagem deles uma semana antes do embarque. "A mão de Deus está em tudo. Eu realmente fiquei impressionado com o que aconteceu. Fizemos uma missa pela manhã em intenção aos passageiros", disse o Frei, que fará uma peregrinação com seis religiosos do Rio e 15 de São Paulo pelo Leste Europeu.

 

EM PARIS

 

"Eu fiquei branco, não sabia o que fazer, nem para quem ligar. Uma conhecida está neste voo. Ela vai passar um mês em Milão", disse um policial civil brasileiro que aguarda no terminal 2 D do aeroporto Roissy-Charles de Gaulle, em Paris, para retornar para o Brasil no mesmo voo que está desaparecido desde a madrugada desta segunda-feira, 1.

 

Luiz Carlos Machado, de 40 anos, morador de Criciúma, em Santa Catarina, vai embarcar no mesmo voo, mas de retorno e disse que não está com receio, porém acredita que o voo vai ser muito mais tenso para todos, tanto para os passageiro quanto para a tripulação. Ele chegou à capital francesa há uma semana, exatamente neste voo. Machado tinha o passaporte na mão e a passagem da Air France no bolso.

 

No mesmo saguão, a brasileira Aida Milani Rodrigues, de 59 anos, aguarda para embarcar num voo da Tam para São Paulo. "Estou com medo, claro! mas preciso voltar. Dizem que um raio não cai duas vezes no mesmo lugar". Aida, mora em Campinas, interior de São Paulo, chegou há 30 dias em Paris, onde visitou a filha.

 

PARA INFORMAÇÕES

 

Os números fornecidos pela Air France são: para todo o Brasil 0800 881 2020; Para a França: 0800 800 812; Para outros países: + 33 1 57 02 10 55. Já os números fornecidos pela Anac são: (61) 3366-9303 e (61) 3366-9307. É importante ressaltar que os telefones são exclusivos para atender familiares e amigos próximos dos passageiros deste voo.

 

Os familiares que quiserem obter informações pessoalmente poderão encontrar atendimento da Anac para esclarecimento de dúvidas no Aeroporto Tom Jobim (Galeão) onde foi montado um gabinete de crise para acompanhar as buscas ao avião da Air France, Uma sala exclusiva foi disponibilizada para parentes em busca de informações.

 

Também no Galeão, os familiares e parentes poderão encontrar atendimento da Air France - que também fornece assistência psicológica fornecida por médicos, psicólogos e voluntários - no Salão Nobre do aeroporto, no 1º andar do prédio da administração. Além disso, a empresa também disponibiliza atendimento no hotel Windsor (av. Sernambetiba, 2630, Barra da Tijuca, Rio de Janeiro). O site da companhia é http://www.airfrance.com.br/.

 

Ampliada às 20h29

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