FABIO MOTTA/ESTADÃO
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No Rio, foliões fazem piada com presos da Lava Jato

O ex-governador Sérgio Cabral e a ex-primeira dama Adriana Ancelmo foram lembrados; Eike Batista também inspirou fantasias

Constança Rezende, O Estado de S.Paulo

19 Fevereiro 2017 | 22h22

RIO - O Bloco da Preta fez o maior desfile dessa temporada pré-carnavalesca. Mais de 500 mil pessoas dançaram na Avenida Primeiro de Março, segundo dados da Riotur. A apresentação foi marcada pela irreverência da cantora. Quando foi avisada de que houve furto no bloco, interrompeu o show. "É falta de sexo. Se você não tem dinheiro, mas transa, fica feliz. Quem está sem grana e não transa fica triste e vem roubar no bloco", afirmou a cantora.  Também teve provocação para a irmã, Bela Gil. "Quem quer churrasco de melancia?", brincou, quando Bela subiu no carro alegórico. 

Carolina Dieckmann, madrinha do bloco, estava vestida nas cores do arco-íris, em defesa da diversidade sexual. "Esse é o bloco que tem a maior diversidade do Rio. Além disso, a Preta é a musa dos gays, contagia todo mundo. Esse é o bloco mais animado do carnaval", disse o estudante Gabriel Vargas, de 19 anos, morador de Madureira, que se vestiu de sereia com outros três amigos. "A Preta, com toda essa autoestima, maquiagem, brilho, paetê, é uma referência para gente. Esse é o melhor bloco do carnaval", completou a outra sereia, o designer Vinicius Soares, também de 19 anos.  

À tarde, os organizadores do Escravos da Mauá usaram até um carro-pipa para aliviar o calor dos foliões. O bloco teve fantasias políticas. O publicitário Daniel Nosé, de 27 anos, improvisou um protesto contra o presidente americano Donald Trump. Usava manta xadrez, chapéu de mexicano e a placa "Fuera Trump". "Achei engraçado. Saí de casa e foi o que rolou. A fantasia é fácil. Cortei um lençol em casa e vim. Não curto o Trump", afirmou.



Fantasias de presos das últimas fases da Lava Jato proliferaram no bloco Escravos da Mauá, no Rio. O ex-governador Sérgio Cabral, a ex-primeira dama Adriana Ancelmo e o empresário Eike Batista eram populares entre os foliões. 

"A gente deu uma fugidinha da prisão esse fim de semana só pra curtir. Não deu para trazer todas as joias, né? A gente vai vender algumas para comprar as cervejinhas", brincou a turismóloga Andreia Menezes.

"As joias todas foram assinadas por Antonio Bernardes", completou a amiga, a servidora pública Patrícia Carvalho, referindo-se ao joalheiro que era um dos preferidos do casal Cabral e Adriana para a compra sem notas fiscais e com pagamento em dinheiro, de acordo com denúncia do Ministério Público Federal. 

A artista Baby Bittencourt chegou a pintar as solas do sapato de vermelho, em alusão à marca registrada dos sapatos Christian Louboutin, que Adriana Ancelmo costumava usar. "Fizemos uma grande homenagem a Eike e Adriana. Dei uma joia para Adriana. Sou amigo do Serginho, meu companheiro de moradia", brincou Flavio Bittencourt, que levava no pescoço um passaporte da União Europeia, como o que Eike Batista usou para deixar o País às vésperas da operação da Polícia Federal para prendê-lo.

Ainda pela manhã, a cidade teve outros blocos - o Boitatá, na Praça Tiradentes, o Fogo e Paixão, que tocou músicas de Wando, no Largo de São Francisco. Na Praia de Copacabana, o Chora me liga atraiu 100 mil pessoas para dançar ritmos sertanejos. Ainda na orla de Copacabana, dezenas da cachorros aproveitaram o "Blocão". Ao som de marchinhas de carnaval, o bloco denunciou ainda maus-tratos contra os animais.

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