No Rio, orla de Copacabana perde seu último casarão

Operários demoliram o imóvel, onde viveu até os 103 anos a viúva de um militar; será erguido no local um hotel de alto luxo

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

02 de novembro de 2013 | 01h28

RIO - A última casa da Avenida Atlântica, na Praia de Copacabana, no Rio, foi posta abaixo. Operários demoliram o imóvel, onde viveu até os 103 anos Zilda Azambuja Canavarro Pereira, viúva de militar. No local, será erguido um hotel de alto luxo. Os trabalhos de derrubada da casa começaram no dia 18 do mês passado.

No imóvel, ao longo dos anos, Zilda resistiu à especulação imobiliária e se recusou a vender a "casa de pedra", como era conhecida  por causa do material usado em sua construção. Vivia sozinha ali. Não teve filhos.

Depois de sua morte, em 2012, os herdeiros ("uma dezena de sobrinhos", nas palavras do empresário Omar Peres, comprador do imóvel) leiloaram os objetos da casa: quadros como Paola Doria, Marquesa de Lomellini, do pintor belga Anton Van Dyck, do século 17, e O Voto de Heloisa, de Pedro Americo, baixela de vermeil de 245 peças da Tétard Frères, e um par de poltronas Luis XV, do século 19, que pertenceu à coleção de Elizabeth Taylor.

Peres e seu sócio, Germán Eframovich, dono da Avianca, querem construir ali um hotel "seis estrelas". "Vamos oferecer além do que o cinco estrelas oferece: um carro de luxo vai buscar o hóspede no aeroporto, bebidas como vinhos, uísque e prosecco estarão incluídos na diária", disse Peres.

O terreno de 5 mil metros quadrados receberá um prédio de 12 andares, com cem quartos. O projeto será da iraquiana Zaha Hadid.

 

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