No Rio, presos dominam PMs e fazem rebelião com armas de papelão

Os 496 presos da Casa de Custódia Jorge Santana, em Bangu, fizeram nesta quarta-feira rebelião de doze horas e mantiveram dois policiais militares como reféns. Eles dominaram a cadeia usando a pistola de um dos PMs e duas imitações de armas, feitas de papelão e alumínio. Entre as reivindicações, estavam mudanças no sistema de visitas, melhoria da alimentação e do tratamento médico e transferência de presos. A políciainvestiga se houve conivência dos guardas. Este foi o quinto motim no complexo de Bangu em três meses. A ação começou às 23h30 de terça-feira, com uma tentativa de fuga. Usando as armas falsas, estoques e pedaços de pau, os presos renderam os policiais de plantão e tomaram dois como refém. Foram então para o telhado da unidade, onde picharam as inscrições CV (Comando Vermelho) e PCC (Primeiro Comando da Capital) e balançaram bandeiras vermelhas, em alusão à facção criminosa. As negociações foram feitas pela unidade de negociação do Batalhão de Operações Especiais (Bope). Não houve quebra-quebra.O motim só terminou por volta das 11 horas, depois que a imprensa entrou na casa de custódia. Os PMs que ficaram em poder dos presos não sofreram ferimentos. Os amotinados leram uma lista de onze exigências para os jornalistas e reclamaram que têm sofrido maus tratos. Segundo eles, além de espancá-los, os guardas desrespeitam as visitas. ?Ontem, um funcionário entrou na sala de revista quando nossas mulheres estavam sem roupa. Por isso fizemos isso hoje?, disse um dos presos. Eles pediram ainda que haja visitação nos fins de semana, já que muitos familiares não podem ir até lá durante a semana porque trabalham. Outra reivindicação foi o tratamento adequado aos doentes. A polícia informou que os pedidos serão estudados.A governadora Benedita da Silva (PT) disse que o motim faz parte do ?processo natural?. ?Eles sempre estão tentando fugir e nós estamos atentos, impedindo mais uma rebelião. Estamos fazendo para que essas coisas não venham a acontecer, mas sabemos também que são medidas de médio e longo prazo. E no curto prazo já surtiram bastante efeito, porque temos feito não só as prisões, mas também inibido tentativas de motim.? No dia 31 de julho, 57 presos armados com revólveres escaparam da Jorge Santana pela porta da frente. Os que não conseguiram fugir fizeram rebelião de doze horas, mantendo um guarda como refém. Desde então, já houve rebeliões em Bangu 1, Bangu 3 e Bangu 5. O comandante da PM, coronel Francisco Braz, que acompanhou a contagem dos presos após a rebelião e vistoriou as galerias, disse que será aberto processo administrativo para apurar por que um dos sargentos tomados como reféns estava com uma pistola PT 380 ? a entrada de armas na unidade é proibida. ?O fato de a arma está lá pressupõe uma falha. Vamos investigar (se houve conivência).?A casa de custódia tem capacidade para 500 presos e deve abrigarsomente os que ainda aguardam julgamento. De acordo com os presos, existem muitos já condenados que continuam lá. Eles pedem a transferência desses para o presídio Ary Franco, em Água Santa, zona norte. Na Casa de Custódia Bangu 5, policiais encontraram ontem uma pistola e duas granadas dentro do tubo de uma televisão deixado na portaria. A TV foi levada pela mulher de um preso conhecido como Gaguinho e seria entregue em sua cela. Ela não foi detida porque já tinha ido embora quando o material foi encontrado.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.