No Rio, site do Bope vai disponibilizar imagens das operações

Previsão é que vídeos estejam no ar a partir de fevereiro; nesta segunda, site do Bope estava fora do ar

Pedro Dantas, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2009 | 21h20

O Batalhão de Operações Especiais (Bope)  da Polícia Militar fluminense vai disponibilizar em seu site vídeos feitos pelos próprios policiais das incursões em favelas do Rio. De acordo com o comandante da unidade, coronel Pinheiro Neto, a intenção é aumentar a interatividade entre e o batalhão e "o cidadão que paga os impostos e é admirador da tropa de elite". Até o final do segundo semestre, ele pretende que a página do batalhão exiba os resultados das operações online, com vídeos, fotos e textos. Até o final de fevereiro começam a ser exibidos os primeiros vídeos. Nesta segunda, o site do Bope estava fora do ar. "Uma outra novidade será o Bope em tempo real, ou seja o internauta saberá onde o batalhão está atuando e o qual é a nossa missão naquele local", disse Pinheiro Neto. O coronel explica que a divulgação não comprometerá o sigilo das operações. "Não vamos divulgar nossa preparação ou a tática empregada. Vamos mostrar nossa ação, o material apreendido e até algumas abordagens a suspeitos", esclareceu. Apesar de ressaltar que o Bope divulgará apenas imagens aprovadas pelo comando da tropa, Pinheiro Neto acredita que os vídeos podem proteger os agentes de falsas acusações de abuso policial. "Não estamos fazendo nada de novo. Várias tropas de elite disponibilizam vídeos de suas operações. Atualmente, já mostramos fotos no nosso site. Hoje (segunda), estamos em operação na cidade de Macaé (norte fluminense) e na Cidade de Deus onde fiz imagens impressionantes da pobreza na parte mais pobre daquela comunidade", declarou o coronel. Segundo Pinheiro Neto, na época do lançamento do filme "Tropa de elite", o site chegou a ter 40 mil acessos por dia. Hoje, cerca de mil pessoas acessam o a página do Bope diariamente e 800 escrevem para o comando do Bope, 80% destes em busca de informações sobre o ingresso na tropa. Nascida e criada no Complexo da Maré, onde as incursões policiais são frequentes, a socióloga Marielle Franco, que também participa da Campanha Contra o Caveirão (caro blindado da PM), não vê a exposição midiática do Bope com simpatia. "Não me agrada, porque incita a banalização da violência. Por outro lado, a transparência sobre as ações deveria começar mostrando as orientações que estes policiais recebem no processo de treinamento, pois comportamento violento nas comunidades começa neste momento", criticou Marielle.

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