No Rio, tempo só deve melhorar a partir de sábado

A 15.ª vítima das chuvas do Rio, nos últimos seis dias, é a babá Valdenice Bezerra Tavares, de 25 anos. Ela foi soterrada pela laje da casa onde morava, na Freguesia, na zona oeste, na noite de terça-feira. Dois jovens estão desaparecidos na cidade. O tempo só deve melhorar a partir de sábado. Valdenice estava tentando salvar móveis da água da chuva, quando houve um deslizamento de terra. Ela morreu na hora. Seu corpo continuava no chão pela manhã. A irmã, Valdenise, lamentou: "Ela morava na casa tinha só quatro meses. É uma tristeza muito grande". Três barracos próximos também desabaram e seis foram interditados pela Defesa Civil. Com medo, vizinhos retiraram seus pertences e preferiram se abrigar na casa de parentes, longe dali. A zona oeste foi uma das afetadas pelo temporal de terça-feira. Ademar Silva, de 35 anos, outro morador da Freguesia, morreu afogado. No mesmo dia, Luciano da Silva Santos, de 16 anos, jovem residente na Cidade de Deus, perto do bairro, desapareceu quando brincava de surfar nas ondas que se formaram numa rua (a água chegou a três metros de altura). Acabou sendo arrastado pela correnteza forte. Duas equipes do Corpo de Bombeiros passaram o dia percorrendo o Rio Grande, que corta a favela Cidade do Deus, para onde Luciano teria sido arrastado. Não o encontraram. Durante as buscas no rio, foi localizado o corpo de um homem com marcas de tiros e sem os membros, provavelmente assassinado por traficantes de drogas da região. Na zona norte, um outro jovem, Luiz Henrique Espírito Santo Costa, de 19 anos, também pode ter sido arrastado pela força das águas. Ele ainda não foi encontrado. Ainda na terça-feira, na zona norte, já havia sido registrada a morte de Roberto de Azevedo Torres, de 62, soterrado em Bento Ribeiro. No temporal da semana passada, doze pessoas morreram, vítimas de afogamento, soterramento e eletrocução. Seis delas, no estacionamento subterrâneo do Penha Shopping, também na zona norte - que voltou a ser inundado com as últimas chuvas. Desde a noite de terça-feira, foram retiradas 631 toneladas de terra, lama e folhagens em toda a cidade. Uma enxurrada de água e lama invadiu uma estação elevatória da Companhia Estadual de Águas e Esgotos (Cedae) na zona oeste, que ficou alagada. As bombas pararam de funcionar e o fornecimento de água foi prejudicado. Técnicos trabalham nos reparos e limpeza do equipamento. Há seis dias, tem chovido no Rio todo fim de tarde e à noite. O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) informou que a previsão de chuva se mantém. O mau tempo é resultado da passagem de uma frente fria pelo Estado. Só deve passar no fim-de-semana. A Defesa Civil está em alerta até sexta-feira.

Agencia Estado,

01 Fevereiro 2006 | 18h37

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