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No Rio, voltam filas para visto de entrada nos EUA

Menos de um mês depois dos atentados terroristas em Nova York e em Washington, voltaram a aparecer no Consulado dos Estados Unidos as tradicionais filas para conseguir vistos, que haviam desaparecido por causa do medo de novos ataques.Nesta sexta-feira, às 10 horas, debaixo de sol forte, mais de cem pessoas aguardavam a vez. A média de espera era de três a quatro horas.Morando há cinco anos em Nova Iorque, o economista carioca Márcio Fontes, de 31 anos, veio ao Brasil somente para renovar seu visto de trabalho, que tem duração de três anos. Ele não quer voltar a morar no Rio.?Minha mãe chorou, pediu para ficar aqui com ela, mas minha vida é lá. Não tenho medo de novos ataques e sim de como o mundo vai ficar depois de tudo isso?, contou Fontes, que disse que falava ao telefone com um colega que trabalhava no World Trade Center quando os aviões se chocaram contra as torres. Ele disse que quatro amigos seus morreram.A fila começou antes das 6 horas, embora o consulado só inicie o atendimento ao público às 7h30, para renovação de vistos, e às 8 horas, para dar entrada em novas permissões de ingresso no país.Das pessoas que esperavam para entrar, a maioria não demonstrava receio de atentados. ?Estava na Argentina quando vi a tragédia pela TV. Fiquei chocado, chorei, mas não vou desistir da viagem. Vai ser uma excelente experiência para mim. Torço para conseguir meu visto?, disse o físico Martin Makler, de 26 anos, que pretende passar três meses estudando em Chicago.O consulado informou que a liberação de vistos não foi modificada pelos atentados. Segundo os policiais que fazem a segurança da área, as filas cresceram nos últimos dias ? logo depois dos ataques o consulado permaneceu fechado e atendeu somente cidadãos norte-americanos.As férias do estudante Vinícius Siqueira Batista, de 19 anos, serão na Disneyworld, na Flórida. Ele dirigiu durante oito horas, de Ipatinga, em Minas Gerais, até o Rio, para tentar o visto pela primeira vez, e não acha que sua estada será perigosa.O rapaz chegou ao consulado às 7h30, e às 10h30 horas ainda esperava na fila. ?Sempre tive o sonho de conhecer a Disney. Se eu tiver de morrer, morro em qualquer lugar, no Brasil ou nos Estados Unidos.?Já o designer Eric Guedes, de 27 anos, disse que preferiria não viajar para a Califórnia. ?Mas tenho de cumprir compromissos de trabalho, embora minha mulher me implore diariamente para não ir?, contou.Dez dançarinas de um grupo de samba que vai apresentar-se na Flórida por um mês, num circo, estavam apreensivas. ?Só estou indo porque assinamos contrato em maio. É terrível imaginar que a gente vai estar num país em guerra?, lamentou Paula Porto, de 18 anos.

Agencia Estado,

05 de outubro de 2001 | 17h21

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