No 'Roda Viva', Dilma nega ser 'um poste'

Petista refuta tese de que seu nome surgiu à sombra de Lula e diz que a interferência do presidente, se for eleita, se limitará a aconselhamentos

Malu Delgado, O Estado de S.Paulo

29 de junho de 2010 | 00h00

A interferência de Luiz Inácio Lula da Silva num eventual governo de Dilma Rousseff se limitará ao aconselhamento de um ex-presidente, afirmou, categórica, a candidata do PT à Presidência, ontem, no programa Roda Viva, da TV Cultura.

Sem o figurino vermelho que ostentou na convenção petista que a lançou oficialmente há poucas semanas, a candidata, vestida de azul, disse que o apadrinhamento de Lula à sua candidatura não a transforma "num poste". Se eleita, ela disse que espera a ajuda de Lula "para aprovar reformas importantes" - tendo destacado desonerações tributárias e a reforma política.

"Vou querer que ele (Lula) apresente seus conselhos. Agora, tenho clareza que ele participará como ex-presidente", disse.

Bastante enfática e tranquila ao negar que seu nome surgiu na política à sombra de Lula, ela citou que o presidente não tinha, no início do governo, a popularidade que atingiu hoje e se incluiu como ator político responsável pelos êxitos da gestão do petista. "O projeto que eu defendo", disse, "hoje sou eu que represento".

PSDB. Ao contrário da candidata do PV, Marina Silva, que reiteradas vezes defendeu a necessidade de governar "com os melhores do PT e os melhores do PSDB", Dilma foi refratária ao ser questionada sobre a possibilidade de entendimentos políticos com os tucanos e refutou ter alguma semelhança política com José Serra e o projeto do PSDB.

Vice. Descontraída, Dilma deu risadas ao ver a charge feita pelo cartunista Paulo Caruso, durante a entrevista, em que ela foi desenhada comentando que "eles não tinham nem vice" - e até interrompeu um raciocínio.

Admitiu, mais uma vez, não ter experiência política, mas listou suas experiências administrativas. "Não tenho experiência eleitoral. Fico pensando às vezes se isso não é uma vantagem num quadro onde há tanto desgaste da atuação política."

A candidata disse que se compromete com uma reforma tributária para desoneração de investimentos e dos encargos da folha de pagamento das empresas, mas não defendeu o imposto sobre grandes fortunas, bandeira do PT. "Para ser aprovado no Brasil, demandaria imensa energia política", comentou.

Questionada se a reforma promoveria queda da carga tributária, foi evasiva, dizendo que é contra aumento de alíquotas e que a arrecadação pode subir com aumento do consumo e da produção. Sobre a CPMF, não defendeu a volta do imposto. Afirmou que não se pode modificar o passado.

Dossiê. A petista repetiu que não partiu da campanha a articulação para produção de suposto dossiê contra políticos do PSDB. Afirmou que o comitê não pode ser responsabilizado pelas ações do jornalista Luiz Lanzetta, que se envolveu no episódio e se afastou em seguida do núcleo eleitoral do PT.

Sobre o debate do controle social dos meios de comunicação, defendido pelo PT, a candidata disse ser favorável à liberdade de imprensa.

Depois de sair do Roda Viva, Dilma foi participar de um jantar com artistas, acompanhada pelo ministro da Cultura, Juca Ferreira. A assessoria da candidata não informou o local.

Diferenças e desonerações

DILMA ROUSSEFF

CANDIDATA DO PT À PRESIDÊNCIA

"Entendo que muitos queiram dizer que sou um poste, mas isso não me transforma num poste."

"Em eleição, a gente deixa claro as nossas diferenças."

"Acredito na desoneração de investimentos e da folha de salários. E acredito em modernização do ICMS."

"Se há dossiê, porque até hoje eu não vi papel nenhum, ele não foi feito pela minha campanha."

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