No RS, chuva mata 6 e desabriga 2 mil

Enxurrada derrubou pontes e interditou estradas; entre as vítimas, um bebê de 1 ano ficou preso em uma cerca

Elder Ogliari, PORTO ALEGRE, O Estadao de S.Paulo

30 de janeiro de 2009 | 00h00

A chuva intensa e ininterrupta que atingiu o Rio Grande do Sul da manhã de terça-feira à madrugada de quarta deixou um saldo de seis pessoas mortas, uma desaparecida e cerca de 2 mil desabrigadas, além de tráfego obstruído pela queda de pontes e pelo afundamento do asfalto em rodovias do sul do Estado. Os estragos foram maiores em Capão do Leão, Turuçu, Pelotas e Cristal.Em Capão do Leão, o corpo de Gustavo Medeiros Matias, de um ano e quatro meses, levado pelas águas da enchente, estava preso à cerca de um terreno. Um casal de idosos, não identificado até o final da tarde de ontem, foi encontrado dentro de uma casa próxima a um riacho. À margem do Arroio Fragata, foi localizado o casal Pedro Rodrigues, de 54 anos, e Ivanir Castro Rodrigues, de 52. Eles estavam num carro que trafegava sobre uma ponte levada pela correnteza.Houve uma sexta vítima em Turuçu, onde Vilmar Silva, de 55 anos, caiu do telhado e se afogou dentro de casa. No início da noite mergulhadores ainda buscavam o maquinista Adão Luiz Martinez Almeida, desaparecido no início da madrugada, quando o trem que conduzia, com 62 vagões vazios, descarrilou entre Canguçu e Pelotas. Ao final do dia, a Defesa Civil contabilizava 730 desabrigados e mais 1.200 desalojados. Os moradores de Capão do Leão passaram o dia isolados pela obstrução das vias de acesso à cidade. Dos 4 mil habitantes de Turuçu, 1.200 tiveram de sair de suas casas durante o temporal. O governo do Estado enviou quatro caminhões carregados de mantimentos, roupas e kits de higiene à região.A enxurrada também danificou a infraestrutura e afetou vários serviços na região sul do Rio Grande do Sul. Os consumidores tiveram cortes de luz, telefonia, interrupção de estradas e suspensão de algumas linhas interurbanas de ônibus. No final da tarde cerca de 25 mil residências ainda estavam sem energia. As operadoras de telefonia também passaram o dia trabalhando no reparo aos danos causados pelas chuvas. Alagamentos e afundamentos do asfalto interromperam o tráfego nos km 471, 492 e 511 da BR-116, que liga Porto Alegre a Jaguarão, na fronteira com o Uruguai. A passagem de veículos leves, em meia pista, foi liberada durante a tarde. Na mesma estrada, no limite entre Pelotas e Capão do Leão, a enchente levou a ponte sobre o Arroio Fragata. Conforme o Departamento Autônomo de Estradas e Rodagem, a RS-265 está totalmente interditada numa extensão de 40 quilômetros entre Piratini e Canguçu. Na mesma rodovia, perto de Coxilha Negra a estrada pode ser trafegada somente por veículos pesados. A RS-737 está interditada no acesso a Arroio do Padre, no Km 6, devido a danos em uma ponte.Das 10 horas de quarta-feira às 10 horas de ontem, o Instituto Nacional de Meteorologia registrou 134,4mm de chuva em Pelotas, quando a média de janeiro é de 107mm.COLABOROU SANDRA HAHNINTERDIÇÕES NO RS BR-392 - No km 66, um trecho ficou completamente bloqueado por causa do desmoronamento do acostamento e da pista. A estrada ficou intransitável nos km 92 e 96 no sentido Pelotas-Santana da Boa Vista BR-116 - Em Turuçu, nos km 471 e 491, duas pontes foram comprometidas e o tráfego de veículos teve de ser intercalado. A Ponte do Retiro, no km 511, teve cabeceira comprometida, com erosão causada pela força das águas. No km 528, um ponte foi arrastada BR-293 - No km 16, em Capão do Leão, uma ponte ficaria interditada até que equipes da concessionária Ecosul pudessem chegar para avaliar a estrutura da obra. Um engenheiro especialista em pontes foi enviado de helicóptero ao local para fazer a avaliação

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