No RS, pouco cabo eleitoral

PORTO ALEGRE

Lucas Azevedo, O Estado de S.Paulo

05 de setembro de 2010 | 00h00

A campanha este ano no Rio Grande do Sul está diferente das anteriores. Os gaúchos, conhecidos pela postura firme para defender suas posições, estão mais amenos na demonstração de apoio a seus candidatos. São menos bandeiras, banners e adesivos.

O baixo número de cabos eleitorais em esquinas é um exemplo disso. Em um dos cruzamentos mais movimentadas de Porto Alegre, apenas no final da tarde se vê mobilização. Ainda assim, minguada. É o caso do viaduto da Avenida Carlos Gomes com a Nilo Peçanha. Sob a estrutura há uma larga pista de duas mãos com pontos de ônibus ambos os lados. Por volta das 18h30, pequenos grupos de quatro ou cinco pessoas se apresentam com bandeiras. E fica nisso.

Para o coordenador da campanha de um deputado federal do PSDB gaúcho, Davi Keller, a partir deste mês as campanhas ganharão força. Mesmo assim, a corrida eleitoral está "morna". "Porto Alegre sempre teve uma campanha de rua muito forte do PT. Mas hoje não se veem muitos bandeiraços em cruzamentos. Até agora a mobilização está muito tímida entre os partidos."

Segundo Keller, a cena no interior do Estado confirma essa tendência. "A campanha está mais devagar inclusive entre cabos eleitorais nas outras cidades." Para ele, o alto custo da campanha e a dificuldade de arrecadação dos partidos são um fator determinante. "Quando o cobertor é curto, se atende minimamente quem é parceiro de mais tempo."

Coordenador da campanha do PMDB em Porto Alegre, Ernesto Teixeira, envolvido desde 1986 em disputas eleitorais, lembra de gaúchos mais engajados em outros tempos. "Há dez anos, se um grupo do PMDB e um do PT se encontrassem na rua, os coordenadores de campanha teriam trabalho para evitar o confronto. Hoje, o convívio é pacífico."

Os entraves financeiros das campanhas refletem diretamente na mobilização das ruas. "Temos menos militância para entregar material de gráfica, que está muito caro. Os partidos preferem investir em propagandas de rádio e televisão a fazer santinhos. Papel para distribuição, agora, só com as propostas."

A chamada "militância de aluguel" é presente. Em discursos e em cruzamentos de grandes avenidas, se encontram cabos eleitorais contratados por dia ou por mês para empunhar bandeiras e distribuir adesivos. Já os filiados ainda estão tímidos.

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