No segundo andar, a obra de um museu para homenagear Frei Galvão

Dentre todas as obras de restauro da Igreja São Francisco de Assis, a preferida do frei Anacleto Luiz Gapski é a construção de um museu em memória a Santo Antônio de Sant?Ana Galvão, mais conhecido como Frei Galvão. "Pouca gente sabe, mas Frei Galvão passou 57 anos nesta igreja. Só nos últimos três anos de vida, quando não podia mais subir as ladeiras das Ruas São Francisco e Riachuelo, ele se mudou para o Mosteiro da Luz", conta.O museu deve ficar no segundo andar das dependências do convento velho. Também estão previstos painéis de vidro contando a história do santo no corredor superior. "A minha intenção é recuperar a história desse franciscano que palmilhou o caminho dos tropeiros até Santa Catarina", diz o frei Anacleto. Frei Galvão é o primeiro santo brasileiro e foi canonizado pelo papa Bento XVI durante sua visita ao Brasil, em maio do ano passado.A Igreja São Francisco de Assis data de 1647 e é uma das mais antigas da cidade ao lado da Igreja do Carmo (de 1592) e da Igreja de São Bento (de 1598). "O perímetro do centro da cidade era balizado por essas três igrejas. Mas a Igreja de São Bento foi demolida e deu origem a um novo edifício", diz o arquiteto Benedito Lima de Toledo, professor de História da Arquitetura na Universidade de São Paulo (USP). A construção da igreja foi realizada quase dois séculos antes do surgimento da vizinha Faculdade de Direito, de 1828.Uma sugestão do professor que deve ser adotada pelos restauradores é a reprodução de um cruzeiro no Largo de São Francisco, como se pode ver nas gravuras antigas que retratam a região central. O cruzeiro seria construído em aço super-resistente, contra atos de vandalismo.O professor Toledo ressalta a importância da recuperação de um prédio histórico, tombado pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat) do Estado de São Paulo há mais de 25 anos. Ser um edifício tombado, no entanto, não facilita a arrecadação de recursos para a restauração, segundo o frei Anacleto. "Dependemos de patrocinadores interessados em recuperar as obras, que devem consumir mais cinco anos de trabalho para serem concluídas", diz.O convento, que foi considerado o maior da cidade na época de sua construção e contava com dois andares, hoje abriga 30 frades que não vivem mais em regime de clausura.

Mônica Cardoso, O Estadao de S.Paulo

16 de dezembro de 2008 | 00h00

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