No segundo Multa Zero, sindicato calcula adesão de 90%

O segundo dia de Multa Zero, promovido pelos marronzinhos em greve, foi um mistério. A Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) diz que fechará apenas nesta quarta-feira, 2, um balanço sobre a queda no número de infrações notificadas. O sindicato calcula que 90% dos funcionários deixaram de multar, mas uma reunião, nesta quarta, pode pôr fim a campanha.Apesar disso, os motoristas preferiram não se arriscar. "Vai que justo por onde eu passo, o cara não adere a greve", comentou Vanessa Dias, 23 anos, que preferiu esperar o fim do horário de rodízio para circular com seu veículo, com placa final 4. Outro motorista, Sérgio Martins, afirma que viu um dos agentes trabalhar normalmente pela manhã. "Acho que é mais discurso". A próxima edição do movimento está agendada para quarta-feira que vem, dia 9, se não houver antes um acordo com a empresa municipal. "Nesse dia marcamos também uma assembléia onde votaremos uma greve geral se o Multa Zero não funcionar", diz Luiz Antonio Queiroz, presidente da entidade que representa os agentes, o Sindviários. Uma reunião entre patrões e empregados estava agendada para a quarta-feira, de acordo com o sindicato, mas a CET não confirma se vai participar. As exigências feitas desde março pela categoria são reajuste de 7% para o salário de R$ 1.900, aumento do vale-refeição de R$ 11,50 para R$ 19 e do vale-alimentação mensal de R$ 110 para R$ 300.O que mais preocupa a categoria, no entanto, não é a falta de atenção aos pedidos, mas a contraproposta apresentada pela CET. Em vez de aumentar os salários, a empresa quer elevar a carga horária, que atualmente é de 6 horas e 40 minutos, para 8 horas diárias, diminuir o adicional das férias de 50% para 30% (como prevê a legislação trabalhista) e reduzir de 42% para 25% o adicional noturno. Entre os 3.800 funcionários da empresa, 1.600 são agentes de trânsito que aplicam multas em cruzamentos ou fiscalizam Zona Azul. Mesmo fora dos dias de Multa Zero, Queiroz assegura que apenas as atividades básicas são realizadas. "O acordo entre os marronzinhos é não quebrar galho para a empresa, não ir trabalhar sem uniforme, não fazer hora extra de graça", diz.

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