No Senado, a disputa voto a voto

Marta Suplicy, Netinho de Paula e Aloysio Nunes vão à luta nos últimos dias de campanha para conquistar eleitor paulista

Roberto Almeida, O Estado de S.Paulo

29 de setembro de 2010 | 00h00

Na reta final e em meio à acirrada disputa pelas duas vagas para o Senado paulista, Marta Suplicy (PT) e Netinho de Paula (PC do B) buscarão consolidar votos na Grande São Paulo, enquanto Aloysio Nunes Ferreira (PSDB), em voo solo, vai ao interior para tentar reverter o cenário com ajuda do eleitor quercista e de Romeu Tuma (PTB).

Marta lidera com 27% dos votos válidos, segundo a última sondagem Ibope divulgada no dia 24, e sua campanha de rua continua descolada da de Netinho. Apesar de serem colegas de chapa, eles disputam, eleitor a eleitor, a posição de primeiro nome para o Senado.

A petista pretende focar seus dois últimos dias de campanha na região oeste da Grande São Paulo, que engloba Osasco, Barueri e Carapicuíba, berço e reduto eleitoral de Netinho, onde fez corpo a corpo ontem.

Na avaliação de seus estrategistas, Marta deve ser o segundo voto de Aloysio na capital paulista e, por isso, pretende reforçar a presença onde Netinho tem boa fatia do eleitorado para garantir a dianteira.

Na campanha de Netinho, por sua vez, a estratégia permanece inalterada, já que, em ascensão nas pesquisas desde o início da campanha, o candidato amealhou votos suficientes até chegar à segunda colocação, com 26% dos votos válidos, segundo o Ibope.

A via natural, de acordo com a campanha de Netinho, seria a de manter sua agenda colada à do candidato do PT ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante, que o classifica como "um mano senador" - tática adotada desde o primeiro minuto de corpo a corpo com eleitores.

Netinho trabalha, ainda, para manter sua imagem imaculada antes das eleições e não perder votos com o episódio de agressão à sua ex-mulher, em 2005. Preteriu o único debate entre os candidatos ao Senado sob argumento de que viraria "alvo" dos concorrentes.

Com a disputa interna entre Marta e Netinho, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva interveio e trabalhou para ser uma espécie de "amálgama" das duas candidaturas.

Ele gravou, na semana passada, vídeo com a presença dos dois para ser veiculado no programa eleitoral na TV. O objetivo é garantir que não percam votos para o tucano Aloysio Nunes Ferreira por confusão do eleitor.

Lula, Marta, Netinho e Mercadante devem estar juntos no último comício de campanha marcado para amanhã em São Bernardo do Campo, no ABC paulista.

Seara tucana. Ex-chefe da Casa Civil do presidenciável tucano José Serra, Aloysio Nunes Ferreira corre por fora na tentativa de amealhar votos de dois candidatos que tiveram de se ausentar da disputa por problemas de saúde: Orestes Quércia (PMDB), que renunciou, e Romeu Tuma, internado desde o dia 1.º de setembro.

Com 18% dos votos válidos, segundo a última sondagem Ibope, Aloysio circulará pelo interior com prefeitos a tira-colo - seus principais cabos eleitorais -, além de Airton Sandoval, secretário do PMDB, representando Quércia e orientando o voto quercista para o tucano.

Ontem, Aloysio esteve com sua claque em Piracicaba, Botucatu, Jaú e Oswaldo Cruz. Hoje recebe em sua cidade natal, São José do Rio Preto, o candidato do PSDB ao governo, Geraldo Alckmin, e deve ir a Barueri e depois São Paulo para evento conjunto com o presidenciável tucano José Serra na Mooca, zona leste da capital.

A expectativa da campanha do tucano é de consolidar o voto já conquistado no interior e fazer incursões na capital, onde, de acordo com pesquisas internas, ele ainda figura atrás de Marta e Netinho.

Tuma, em quarto lugar no último Ibope com 14% dos votos válidos, permanece internado no Hospital Sírio-Libanês, em São Paulo, e não deve receber alta até as eleições.

Sua campanha está à deriva há um mês, quando deu entrada no hospital com uma afonia (perda parcial ou total da voz), segundo sua assessoria. Os marqueteiros recorreram a depoimentos de terceiros para preencher o horário eleitoral e, de quebra, camuflar a ausência do candidato e reforçar o argumento de que Tuma é o "senador de todos". Hoje, seu cabo eleitoral é o presidente do PTB paulista, deputado estadual Campos Machado.

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