No Senado, Rossi poupa desafeto Jucá

Ministro da Agricultura evita criticar senador do PMDB cujo irmão Jucá Neto o acusou de envolvimento em corrupção à frente da pasta

Rosa Costa / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

11 Agosto 2011 | 00h00

Com o PMDB sob pressão por causa do escândalo no Ministério do Turismo que levou à prisão de 35 pessoas, o ministro da Agricultura, Wagner Rossi, resolveu poupar de críticas todos os integrantes do partido no depoimento que prestou ontem, no Senado, entre eles o senador Romero Jucá (RR), líder do governo.

Jucá é irmão de Oscar Jucá Neto, afastado por Rossi da diretoria financeira da Companhia Brasileira de Abastecimento (Conab), por ter liberado R$ 8 milhões de uma verba destinada à compra de alimentos para uma empresa de silos de Goiás, suspeita de ser comandada por laranjas. Para se vingar, Jucá Neto acusou Rossi de estar envolvido em corrupção na Agricultura, mas não deu nenhuma prova.

Nas duas horas e meia de depoimento, Rossi distribuiu elogios até para os líderes do PSDB e do DEM, senadores Alvaro Dias (PR) e Demóstenes Torres (GO), que criticaram sua atuação. Ele também chamou de "muito acolhedores" os porteiros da entrada privativa do ministério por onde o lobista Júlio Fróes entrava para o gabinete que mantinha no prédio da Agricultura. Fróes, segundo a revista Veja desta semana, distribuía propina dentro do ministério.

Rossi não soube dizer quem contratou a filha do lobista, Nayara Paiva, para o cargo de secretária executiva da ouvidoria.

"Talvez eles tenham tido esse descuido, mas eu não posso ter a responsabilidade de controlar a portaria", afirmou, referindo-se à passagem do lobista pelos porteiros e reiterando o principal mote de seu depoimento: o de que não é responsável por nada de negativo que ocorre na pasta e na Conab.

A reportagem da revista Veja informou que o próprio Fróes redigia contratos suspeitos, apoiado pelo ex-secretário executivo Milton Ortolan, homem de confiança de Rossi, que saiu do cargo sem apresentar argumentos consistentes contra as denúncias. Rossi prometeu deixar documentos no Senado comprovando sua defesa. Mas Alvaro Dias (PSDB-PR) lembrou que ele fez a mesma promessa na Câmara dos Deputados, na semana passada, sem que os deputados tenham tido acesso a tais documentos, "se é que eles existem", ironizou o tucano.

Wagner Rossi responsabilizou o setor jurídico da Conab e "servidores ressentidos" pelas fraudes. Questionado por Alvaro Dias sobre os motivos que o levaram a não recorrer da sentença de pagamento à Renascença Armazéns Ltda., em 2009, quando presidia a Conab, o ministro disse que não poderia ter conhecimento das 9 mil ações movidas contra o órgão. E que a medida deveria ter sido adotada pelos escritórios terceirizados de advocacia contratados pela Conab.

Wagner Rossi disse que não processará "servidores ressentidos", entre os quais Jucá Neto, porque não exerce "o ódio no limite". A oposição não gostou das explicações do ministro. "Ele reconheceu as irregularidades, mas se limitou a transferir responsabilidade", disse Alvaro Dias. O líder do PMDB, Renan Calheiros (AL), e outros governistas elogiaram Wagner Rossi.

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