No Tatuapé, lago e pista de cooper

Após leiloar imóvel de morador inadimplente, síndico de condomínio antigo fez reforma geral no térreo

O Estadao de S.Paulo

26 Abril 2008 | 00h00

O vendedor Manoel João Castelo Branco, síndico de um condomínio de 26 anos no Tatuapé, zona leste de São Paulo, tentou durante meses aprovar a construção de uma churrasqueira. "Pois foi trocar o nome do local para espaço gourmet que se aprovou rapidinho." Criticado inicialmente, hoje o equipamento que dispõe de forno de pizza e TV de plasma tem agenda cheia, enquanto os dois salões de festas ficam quase às moscas. Mas não foi apenas o espaço gourmet que o condomínio Maison Concord ganhou. O jardim dos fundos do terreno, que abriga dois prédios, ganhou uma pista de cooper, batizada depois de ?espaço ambiente?. Além de paisagismo especial e lago com carpas. Castelo fez ainda um salão de jogos que tem até máquina de fliperama e uma academia. Melhor: espaço fitness. Para conseguir fazer tanta benfeitoria, o síndico do Tatuapé acertou as contas do condomínio e mandou um apartamento de condômino inadimplente há dez anos a leilão. "Não precisamos de nenhuma arrecadação extra", conta Castelo. Na última assembléia do condomínio, porém, a maioria decidiu parar as obras. Restava a reformulação de guarita e portões e aquecimento da piscina. O síndico confirma que o mais difícil em um projeto de retrofit é convencer a maioria de que todo mundo sairá ganhando. Hubert Gebara, responsável pela administradora que leva seu nome, adverte os síndicos de que algumas reformas podem exigir a aprovação unânime dos proprietários, dependendo da convenção. "Operação em áreas comuns é complicado. É preciso atenção para não criar problema jurídico." Para Gebara, os itens de lazer servem para ocupar espaços ociosos do condomínio e acabam valorizando o apartamento. "Acaba havendo uma concorrência entre edifícios, é claro, e ninguém quer ficar atrás. De repente, o morador vê surgir outros condomínios equipados e modernos ao seu redor e não quer que o seu se desvalorize", pondera. "Mas nem todos pensam da mesma forma e podem achar o investimento um desperdício." Castelo diz que os opositores mais ferrenhos do projeto do espaço gourmet são hoje os que alugam o espaço até duas vezes por mês. "Muitos usam o equipamento de lazer, vêem a vantagem, mas, mesmo assim, continuam criticando. A crítica faz parte do dia-a-dia de um condomínio."

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