No troco a Serra, Dutra chama governo FHC de 'fracassado'

Escalado para fazer o 'bateu-levou' com o rival, presidente do PT avisa que o povo 'não vai ter mesmo surpresa' com ele

Eugênia Lopes / BRASÍLIA, O Estado de S.Paulo

14 de junho de 2010 | 00h00

O presidente nacional do PT, José Eduardo Dutra, foi escalado para rebater, ontem, o discurso do candidato tucano à Presidência da República, José Serra, e fazer o pronunciamento mais duro contra o adversário na convenção do partido que oficializou Dilma Rousseff à sucessão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Dutra afirmou que Serra participou de um governo fracassado.

Para responder ao tucano, Dutra citou o Estado. "Vejo na primeira página do jornal O Estado de S. Paulo a frase do candidato da oposição dizendo: "Comigo, o povo brasileiro não terá surpresas". É verdade. O povo brasileiro já conhece o fracasso do governo que ele participou", disse o presidente nacional do PT. "O povo brasileiro não teria surpresa porque sabe que o governo de que ele participou provocou um apagão de 11 meses no Brasil, mostrando que a modernidade que eles trouxeram foi a da lamparina e do candeeiro", ironizou.

Numa fala de cerca de dez minutos, Dutra afirmou que o governo Fernando Henrique tentou mudar o nome da Petrobrás para Petrobraxx. Acusou os tucanos de terem dado a Ordem Cruzeiro do Sul ao ex-presidente peruano Alberto Fujimori, "um bandido convertido em estadista". Disse, ainda, que o governo passado sucateou as universidades federais e não construiu escolas técnicas.

Não é a primeira vez que Dutra assume o "bateu-levou" da campanha petista. Na semana passada, coube a Dutra responder às acusações de que o suposto dossiê montado contra Serra teria sido elaborado por integrantes do grupo petista. "Baixaria é comigo mesmo", disse no início da conversa com jornalistas, há cerca de dez dias.

Forró e Neruda. Em seguida, Dutra exibiu seus dotes musicais, adaptando para a campanha de Dilma um jingle usado na campanha de Marcelo Déda, em 2006, em Sergipe. "Eita que eles estão aperreados, é 13, é 13, é 13, é Dilma para todo lado."

Ao profetizar que a petista será "a primeira mulher presidente do Brasil", Dutra citou o poeta chileno Pablo Neruda (1904-1973). "Elas sorriem quando querem gritar. Elas cantam quando querem chorar. Elas choram quando estão felizes. E riem quando estão nervosas."

Para o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, José Serra vai se caracterizar como o candidato anti-Lula. Ele rebateu ainda as críticas de que Dilma não tem experiência: "Diziam a mesma coisa do Lula, que ele não estava preparado. Nós provamos o contrário."

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