No vôo dos parentes para São Paulo, choro e tensão

Familiares das vítimas aplaudiram quando avião que desceria em Congonhas foi desviado para Cumbica

Viviane Kulczynski e Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

19 Julho 2007 | 05h14

O movimento no Aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, começou bem cedo, ainda na madrugada. Os passageiros procuravam o balcão da TAM para obter informações e os cartões de embarque. Foram acomodados numa sala da Infraero, no terceiro andar do aeroporto, sem passar pelo salão de embarque e sem acesso à imprensa. Previsto para decolar às 6h30, o avião com os primeiros 67 familiares e amigos das vítimas do vôo JJ 3054 só partiu de Porto Alegre às 9h30. O atraso na decolagem ocorreu em razão do embarque de passageiros regulares e da espera por dois paramédicos que deram assistência durante o vôo. O avião só começou a taxiar a pista às 9h26, sob uma chuva fraca. O estudante de Engenharia da PUC-RS Sul Lucas Ferreira, de 23 anos, era um dos passageiros regulares no vôo. ''''O clima a bordo era de muita comoção, mas o vôo transcorreu normalmente.'''' Até o começo da tarde, outros três vôos partiram da capital gaúcha, o JJ 3050, para Congonhas, com 155 passageiros - a empresa não soube precisar quantos era parentes de vítimas -, JJ 3058, também para Congonhas, e o JJ 3508, para Guarulhos. ''''Manteremos os embarques nos nossos vôos normais à medida que os parentes e amigos forem nos procurando'''', informou o assessor de imprensa da TAM Luiz Carlos Franco, que chegou ontem à capital gaúcha, vindo de São Paulo. Ele ainda fez um apelo: ''''Os que ainda virão embarcar tragam consigo todos os documentos que possam ajudar na identificação dos corpos, vale raio X, exames.'''' O clima de tristeza e revolta era nítido também entre os funcionários da TAM, que perderam colegas no acidente. Além da tripulação, estavam a bordo outros funcionários, como o superintendente regional Marco Antonio da Silva. ''''Quantas pessoas ainda terão de morrer para que alguma providência seja tomada?'''', questionou Fabiano Vieira, marido de uma comissária morta no acidente. Uma situação curiosa ocorreu no terceiro vôo, o JJ 3058. Após decolar de Porto Alegre, às 14h35, o piloto se preparava para pousar em Congonhas quando recebeu aviso dos controladores de vôo para descer em Guarulhos, por conta do excesso de tráfego aéreo. Ao serem informados do desvio de rota, ''''por questões de segurança'''', os passageiros bateram palmas.

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