´Noite dos Tambores Silenciosos´ emudece e emociona o carnaval do Recife

Pense em uma noite de carnaval em que os tambores se silenciam. Uma noite em que, em meio à folia que toma conta da capital pernambucana, uma pequena, mas significante parte dos foliões assiste em êxtase e devoção a uma cerimônia em que o babalorixá Raminho de Oxóssi evoca os ancestrais e deuses africanos para abençoar o futuro, o presente e saudar o passado. Assim é a Noite dos Tambores Silenciosos. A cerimônia faz apagar todas as luzes do Pátio do Terço, em frente à Igreja de Nossa Senhora do Terço, no bairro de São José, no coração do Recife Antigo todas as segundas-feiras de carnaval. A celebração faz também a multidão, que se espreme na viela onde ocorre a festa, silenciar e reverenciar as mais profundas raízes da cultura popular brasileira. A festa que é tomada de assalto pela cerimônia da Noite dos Tambores Silenciosos é a tradicional apresentação das nações de maracatu de baque virado, o maracatu urbano, que acontece todos os carnavais no Palco Afro do multicultural e multifacetado carnaval pernambucano. É comandada por Raminho de Oxóssi e começa à meia-noite, depois de vários desfiles de nações como Leão Coroado e Elefante de D. Santa. E precede a apresentação de várias outras nações, que atravessam a noite com seu maracatu de baque virado. A cada ano, há uma nação vencedora desta noite de desfile. Mas a grande estrela é a Nação Oxum-Mirim, que tem à frente Raminho de Oxóssi. Nesta madrugada de 20 de fevereiro de 2007, não foi diferente. A celebração do Oxum-Mirim foi precedida de belíssimas apresentações de nações como o Estrela Brilhante do Alto José do Pinho. Com suas raízes fincadas no tradicional bairro da periferia do Recife, a nação fez uma das apresentações mais vigorosas da noite e provou por que foi a campeã de 2006. Ao som das melodias e letras criadas por Mestre Valter, o Estrela Brilhante levantou a platéia e emocionou até os menos familiarizados com o maracatu. Pudera. Não é preciso entender a diferença entre um baque de parada e um repique para sentir o peso do maracatu de baque virado. Para quem não sabe, maracatu nada mais é do que a junção de "maraca" + "tu". Maraca poderia ser traduzido como chacoalhar, balançar, fazer barulho. Tu é o pronome pessoal reto. Portanto, mexa-se! Maraca, tu! Maraquemos nós! E, como pediu o babalorixá: ?Que neste carnaval, e sempre, que todos cultuem seus deuses e suas religiões. Mas que sejamos um só povo.? Amém.

Agencia Estado,

20 Fevereiro 2007 | 03h47

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