Nordeste sofre com enchentes e Sul enfrenta seca

Bahia, Maranhão, Piauí e Ceará têm caos com enchentes; em Santa Catarina, 95 cidades enfrentam estiagem

da Redação, estadao.com.br

05 de maio de 2009 | 17h19

Enquanto quatro Estados do Nordeste do País enfrentam fortes chuvas e alagamentos, cidades do Sul têm passam por uma seca. Bahia, Maranhão, Piauí e Ceará têm cidades alagadas e milhares de moradores desabrigados e desalojados. Em Santa Catarina, subiu para 95 o número de municípios catarinenses em situação de emergência pela falta de chuva.

 

Nesta terça, o presidente Lula visitou o Piauí e o Maranhão, dois Estados muito atingidos pelas chuvas nos últimos dias. No Ceará, o governo destinou R$ 2,3 milhões às vítimas das chuvas. No Maranhão, são mais de 137 mil afetados pelas enchentes.

 

 

Lula pula o muro da ponte sobre o Rio Poty, que subiu 14 metros no Piauí. Foto: Paulo Liebert/AE 

 

No Ceará, são mais de 165 mil pessoas atingidas pelas enchentes, de acordo com o balanço da Defesa Civil. O Estado conta 7 mortes por causa das chuvas. Entre segunda e terça, choveu em 134 municípios, segundo informou a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme).

 

 

Bahia

 

Passados 13 dias desde que o prefeito de Salvador, João Henrique Carneiro (PMDB), decretou situação de emergência por causa da chuva na cidade, o governo baiano homologou o decreto. A decisão, extensiva a Lauro de Freitas e Simões Filho, na região metropolitana - a prefeitura de Lauro de Freitas havia decretado situação de emergência na tarde de terça-feira -, garante às prefeituras mais facilidade na obtenção de verbas emergenciais, do governo do Estado e da União, e a dispensa de licitações para a contratação de serviços e obras de combate aos efeitos das chuvas.

 

De acordo com o governador Jaques Wagner (PT), a demora na oficialização da situação de emergência foi causada por conflitos entre a documentação apresentada pela prefeitura e as informações colhidas pela Coordenação de Defesa Civil do Estado da Bahia (Cordec). A demora, porém, causou acusações, entre PT e PMDB - ambos da base aliada do governo -, de que se estava querendo "politizar" os efeitos da chuva na cidade. "Agora, o importante é que as providências sejam tomadas o mais rápido possível."

 

Na tarde de hoje, logo depois de a forte chuva que caía desde a madrugada na capital baiana parar, o secretário estadual de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza, Walmir Assunção, junto com representantes da Cordec, visitou alguns locais afetados pelas chuvas na região metropolitana. Depois, com equipes da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, preparou um relatório que foi entregue ao governador.

 

Wagner chegou a sobrevoar a região no fim da tarde e convocou os prefeitos de Salvador, de Lauro de Freitas - Moema Gramacho (PT) - e de Simões Filho, Eduardo Alencar (PSDB) para uma reunião de emergência no início da noite. Durante o encontro, os administradores foram informados que a situação de emergência estava decretada.

 

Em Salvador, a chuva ficou mais forte na madrugada desta terça-feira, 5, e no Shopping Iguatemi, o mais movimentado da cidade, um pedaço do forro de gesso do teto não resistiu a uma infiltração e caiu. Ninguém ficou ferido. As principais avenidas da cidade passaram o dia congestionadas, por causa de alagamentos. Há relatos de que assaltantes aproveitaram a paralisação do trânsito para fazer arrastões, em locais próximos de favelas.

 

A má condição climática também afeta pousos e decolagens no Aeroporto Internacional de Salvador, que opera com restrições e já teve 13 voos desviados - oito para Aracaju (SE), cinco para Recife (PE) e um para Maceió (AL). No dia 22, a prefeitura de Salvador decretou situação de emergência por causa da chuva. O decreto, porém, ainda não recebeu o aval do governo do Estado, que aguarda laudos da Defesa Civil.

 

Apenas entre a meia-noite e as 13 horas de hoje, de acordo com a Defesa Civil, choveu 60 milímetros - mais de 15% do esperado para todo o mês (349,5 milímetros). E a previsão do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) é que o clima se mantenha chuvoso no Recôncavo Baiano pelo menos até a quinta-feira.

Ceará

 

A região norte do Ceará é a mais atingida. Em Sobral, um museu ficou submerso por causa da cheia do Rio Acaraú. Em Santana do Acaraú, as aulas foram suspensas e até o prédio da Defesa Civil ficou alagado. A maior chuva foi em Pentecoste, com 183 milímetros. A cidade ficou ilhada. As duas pontes que dão acesso ao município ficaram submersas. Em Granja, a cheia do Rio Coreaú atingiu 6.040 pessoas. A água invadiu a Câmara Municipal, o Fórum e a Prefeitura da cidade.

 

Embora com menor intensidade, as chuvas também atingem outras regiões do Estado. Em Jaguaruana, no vale do Rio Jaguaribe, o nível do rio subiu por conta da liberação das águas do açude Castanhão, cujas comportas tiveram de ser abertas. Centenas de casas foram inundadas. Em vários distritos, o único meio de acesso é por balsas e canoas. Dos 131 açudes monitorados pela Companhia de Gerenciamento dos Recursos Hídricos (Cogerh), 107 atingiram a carga máxima e estão sangrando.

 

Florianópolis

 

Subiu para 95 o número de municípios catarinenses em situação de emergência pela falta de chuva. A estiagem, que já dura quatro meses, se concentra no Extremo Oeste do Estado, onde mais de 1 milhão e 28 mil pessoas (18% da população catarinense) sofrem com as consequências das raras precipitações de chuva.

 

Até mesmo os 633 poços artesianos - alguns com profundidade de até 1,5 mil metros - construídos nos últimos três anos na região não estão suportando a demanda de água necessária, principalmente para atender a agricultura na área rural. Do total, pelo menos 240 dos poços já secaram, conforme Valmor de Lucca, presidente da Companhia Catarinense de Águas e Saneamento (Casan).

 

Segundo previsões meteorológicas, o quadro de estiagem persistirá durante o mês de maio. Abril fechou com chuvas 70% abaixo da média no Oeste Catarinense e 85% no Planalto.

 

(Com informações de Carmen Pompeu, Júlio Castro e Tiago Décimo, de O Estado de S. Paulo)

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