Noronha e Recife prontos para iniciar identificação dos corpos

Equipe de legistas no arquipélago fará primeiros trabalhos; IML de Recife terá força-tarefa para identificação

Pedro Dantas, da Agência Estado,

08 de junho de 2009 | 10h04

Os primeiros corpos de vítimas do acidente com o voo 447 começarão a ser identificados por uma equipe de oito peritos tão logo cheguem a Fernando de Noronha, o que deve ocorrer nesta terça-feira, 9. Após concluída a primeira etapa de identificação, que pode levar até um dia, os corpos seguem para o Instituto Medico Legal (IML) de Recife para exames antropológicos. O Comando das equipes de buscas informou que até o momento 16 foram resgatados. Informação divulgada no domingo afirmava que 17 corpos já haviam sido resgatados. Na manhã desta segunda-feira, integrante da comissão dos familiares das vítimas afirmou que mais dois foram localizados durante a madrugada,  o que não foi confirmado pelas equipes de busca.

 

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De acordo com o capitão-de-fragata Giucemar Tabosa, do Centro de Comunicação Social da Marinha, durante coletiva nesta manhã, a fragata francesa Ventôse recolheu sete e não oito vítimas, como foi informado anteriormente. A fragata Constituição, que transporta os corpos, deverá chegar na terça-feira, 9, em Fernando de Noronha.

 

Os sete corpos resgatados pela equipe francesa foram transferidos para o navio brasileiro sem comprometer significativamente a estimativa de chegada. Em Fernando de Noronha, os corpos receberão tratamento pericial inicial para serem transferidos de avião até Recife.

 

Ainda segundo Tabosa, as ações de buscas continuam ininterruptas e estão concentradas nos pontos onde foram encontrados os corpos. Ele explicou também que não serão mais divulgadas informações sobre o sexo dos corpos encontrado.

 

O trabalho dos peritos em Noronha consiste na coleta de impressões digitais, material genético para exame de DNA e catalogação de pertences, como anéis, relógios, brincos e roupas. Eles trabalharão em um espaço montado pela Aeronáutica para o serviço com mesas e contêineres frigoríficos com capacidade para armazenar uma centena de corpos.

 

As digitais serão enviadas para a PF em Recife para cruzamento de dados e o material genético vai para os laboratórios da PF em Brasília para exames de DNA, onde será confrontado com o material colhido dos familiares no Hotel Windsor, no Rio.

 

O perito Jeferson Evangelista Correia, que coordena os trabalhos em Noronha, estima que a primeira etapa de identificação pode durar um dia. "Sabemos que existe um clamor social por esse encaminhamento de corpos, mas a gente não pode atropelar o trabalho técnico", afirmou Correia, ao destacar a importância de se conseguir coletar o material de maneira adequada e de qualidade. "Não se vai repetir o exame de dedo (no Recife) porque não ficou bom, por isso o corpo só sai daqui a partir do momento em que esgotarmos todos os meios de colher uma boa impressão digital", disse.

 

IML de Recife

 

A Secretaria de Defesa Social de Pernambuco afirmou que o trabalho de identificação no IML que não estiver relacionado às vítimas do voo 447 será transferido para hospitais públicos se houver necessidade, para priorizar o serviço relacionado aos corpos recolhidos do mar, segundo informações da Agência Brasil. O IML conta com 329 papiloscopistas, 105 médico legistas e 167 peritos, e recebeu o reforço de oito policiais federais especialistas na identificação de corpos.

 

O secretário de Defesa Social de Pernambuco, Servilho Paiva, disse na última quarta-feira, 3, que pode pedir ajuda a outros Estados e embaixadas dos países de origem de vários passageiros. Entre as 228 pessoas que viajavam no Airbus A330, estavam passageiros de 32 diferentes nacionalidades.

 

Desde domingo, 7, um cerco de policiais isolou a rua onde funciona o IML, no bairro de Santo Amaro, impedindo que populares e jornalistas se aproximem do local.

 

Texto atualizado às 11h30 para correção no número de corpos resgatados

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