Norte de MG teve 42 tremores após o terremoto de domingo

Para sismógrafos, abalos foram menores que o tremor que atingiu a comunidade de Caraíbas e deixou 1 morto

Eduardo Kattah, de O Estado de S. Paulo,

12 de dezembro de 2007 | 14h31

O terremoto de 4,9 pontos na escala Richter, que no início da madrugada de domingo, 9, atingiu Itacarambi e outros municípios da região norte de Minas Gerais, foi seguido de outros 42 tremores apenas na primeira hora após o abalo maior - logo após a meia-noite -, segundo resultados parciais das análises dos dados das estações sismológicas instaladas em outubro na região.  Prefeito quer desapropriar a própria fazenda para reconstruir povoado  Pelo menos 262 pessoas estão em creches e escolas  Mãe se refugia com gêmea sobrevivente em aldeia  A 6 km de Caraíbas, povoado teme risco 'Foi um estrondo, como um trovão', diz moradora de cidade atingida por tremor Veja mais fotos da destruição na cidade   O tremor em MG e outros terremotos no País   Os pesquisadores do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB) informaram nesta quarta-feira que um total de 162 tremores de até 1,9 pontos foi registrado no domingo. Nos dias anteriores, foram identificados três sismos - um no dia 5 (às 04h04) e dois no dia 8 (19h52 e 20h01) - com magnitudes inferiores a 2 pontos. Até as 10 horas de segunda, os pesquisadores já computaram 19 sismos com magnitude de até 1,9.  O tremor foi mais fortemente sentido - provocando danos e vítimas - num raio de cerca de seis quilômetros, abrangendo comunidades de três municípios: Itacarambi, Januária e São João das Missões, onde casas ficaram rachadas na aldeia da etnia Xacriabá. Nesse caso, a partir do epicentro - verificado no povoado de Caraíbas - a intensidade chegou a 2 graus na escala Mercalli Modificada (MM), que vai até 12. O diretor do Observatório, Lucas Vieira Barros, e o geólogo Cristiano Chimpliganond estimam que a área de percepção do terremoto principal superou os 50 quilômetros. "A magnitude máxima posteriormente foi 1,9 (pontos na escala Richter). E essa magnitude já é percebida pelas pessoas", ressaltou Barros. "Esses sismos continuam acontecendo, mas a tendência é que a freqüência dos pós-abalos diminua com o tempo. Normalmente esses pós-abalos têm magnitude bem menor do que o evento principal", reiterou. Conforme o diretor, normalmente os novos tremores podem atingir até um ponto menor que a magnitude do tremor principal. "Portanto, pode ser que tenha até 3,8 ou 3,9", disse. "É imprevisível quando pode acontecer". Ele repetiu que existem casos em que o pós-abalo perdura por meses ou mesmo anos. Desde o primeiro grande evento na região - um tremor de 3,5 na escala Richter, registrado em 24 de maio em Araçá, distrito de Januária -, Maria Eunice Oliveira Bezerra, 52 anos, computa num pequeno caderno os tremores percebidos. Os meses se passaram e o fenômeno não deu trégua. "Muitas vezes os terremotos eram seguidos de clarões. Comecei a anotar todos num caderno", disse a ex-moradora de Caraíbas, que retornou ao povoado para buscar objetos pessoais a alimentar os animais. Órgão De acordo com os pesquisadores da UnB, não há data para a apresentação do relatório final referente aos dados das seis estações sismográficas instaladas em outubro. O Observatório da UnB avalia a instalação de uma estação permanente em Itacarambi, a exemplo do que ocorre nas principais regiões sísmicas já identificadas no País. Barros aproveitou para cobrar a criação de um órgão governamental visando o acompanhamento do fenômeno. "Se nós não tivéssemos vindo aqui, quem viria? Que obrigação tem a Universidade de Brasília de fazer isso?", pergunta. "Quando se está atrelado à estrutura universitária você tem um certo grau de engessamento". "Sismos induzidos" Segundo o pesquisador, o Observatório é custeado pelo trabalho de monitoramento de reservatórios hidrelétricos. Ele afirma que há 18 hidrelétricas nacionais que apresentam casos de sismos induzidos pela ação do lago sobre o ambiente geológico. O maior tremor já observado no Brasil foi de 4,2 na escala Richter, no município de Nova Ponte, em 1998. Na cidade está instalada uma grande usina hidrelétrica da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig). Matéria ampliada às 19h47

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