Nos 450 anos, SP ganha a maior usina de biogás do País

A prefeita Marta Suplicy (PT) e a ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, inauguraram ontem a maior usina movida a biogás do País, construída no Aterro Sanitário Bandeirantes, em Perus, na zona norte. A usina, que recebeu investimentos de R$ 60 milhões e tem capacidade de geração de 20 megawatts (MW), é resultado de parceria firmada entre a empresa Biogás e o Unibanco. A usina produzirá energia elétrica aproveitando o biogás - 50% de gás metano e 50% de CO2 - produzido pelo Aterro Bandeirantes, que recebe 7 mil toneladas de lixo por dia. O maior benefício do projeto apontado pelos empreendedores e pelas autoridades presentes na inauguração é o ambiental: a queima do biogás pela usina evitará a emissão na atmosfera de cerca de 8 milhões de toneladas de gás carbônico em um período de 15 anos. A Biogás detém a concessão, transferida por licitação pela Prefeitura, para a exploração do gás produzido pelo aterro - chamado de gás bioquímico. A empresa fornecerá 12 mil metros cúbicos por hora do gás para alimentar a usina. Foram necessários R$ 12 milhões para a criação de uma infra-estrutura de captação do biogás. A eletricidade gerada pela usina servirá para abastecer agências e prédios administrativos do Unibanco, que investiu R$ 48 milhões na construção. Autoprodução"Esse projeto possui um padrão de geração de energia que preconizamos para o País", disse a ministra Dilma. Segundo ela, o projeto reúne "a idéia de que a energia tem de ser um fator de ampliação da qualidade de vida e de desenvolvimento sustentável". A ministra destacou ainda que o projeto é um exemplo do conceito de geração distribuída, em que a produção de energia é realizada muito próxima do centro do consumo, uma característica que amplia a segurança do fornecimento e reduz os custos de distribuição e de transmissão, resultando em energia mais barata para o consumidor. Dilma enalteceu o projeto como um exemplo bem-sucedido de parceria público-privada, destacando a união das empresas Biogás e Unibanco "sob o guarda-chuva da Prefeitura". A prefeita Marta Suplicy acrescentou que, mesmo após o aterro atingir sua capacidade, em 2006, com um total de 30 milhões de toneladas de lixo acumulado, a usina poderá queimar ainda por mais 15 anos "um gás que iria fazer mal à população".

Agencia Estado,

24 de janeiro de 2004 | 07h06

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