Nos bastidores, Lula trabalha como cabo eleitoral

Por intermediários, ex-presidente manda recado a Marta e Mercadante, em defesa de ministro da Educação

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

11 Julho 2011 | 00h00

Em conversas que manteve com companheiros de partido no Instituto da Cidadania, onde tem despachado desde o começo do ano, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu a interlocutores do ministro de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante, e da senadora Marta Suplicy (PT-SP) que aconselhem ambos a buscar a união entre seus grupos já a partir deste ano. No limite, eles poderiam até abrir mão em favor de Fernando Haddad.

A mensagem, que Lula pretende transmitir diretamente aos dois, foi repassada em meio à agitação provocada entre os apoiadores da candidatura do ministro da Educação por causa de um recado de Marta de que vai pedir que sejam realizadas prévias se a postulação de Haddad se concretizar. Além disso, causa incômodo o comportamento incerto de Mercadante, que não confirma nem descarta a intenção de concorrer. O ministro fez alguns petistas saberem que trabalha com o prazo estipulado pelo partido para a definição, o fim de 2011.

Com o recado a Marta e Mercadante, Lula tenta pavimentar certo consenso em torno da candidatura de Haddad, seu preferido na disputa. Entre petistas, conselho dessa natureza proferido pelo ex-presidente é um recado claro de que cabe a ele a escolha do candidato - e este será o atual ministro da Educação.

"Dedaço". "O PT não faz nada sem o aval do Lula", diz um membro do partido. Outro indica o que já está cada vez mais claro: a decisão é imperial, e, ao que parece, já está tomada, no "dedaço", pelo ex-presidente.

O desafio do grupo que cerca Haddad é romper com a desconfiança de boa parte do PT-SP de que o ministro seja um candidato viável. Haddad passou as últimas semanas sendo aconselhado. Ouviu de interlocutores que, se quer vencer as eleições, precisa começar a construir a agenda de sua candidatura.

O ministro decidiu visitar São Paulo com mais frequência. Para turbinar a candidatura, aguarda o lançamento de projetos federais de educação que estarão presentes na cidade, como os relativos ao Programa Nacional de Acesso ao Ensino Técnico e Emprego (Pronatec) e também aos campi de universidades federais que deverão ser inaugurados em breve na zona leste e no anel metropolitano da capital.

Na fase inicial da construção de sua candidatura, seus aliados já preparam até o discurso contra o chumbo grosso que poderia vir da oposição por causa dos problemas vividos pelo Ministério da Educação em dois exames seguidos do Enem.

Um dos argumentos para responder será a decisão da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), uma das mais prestigiadas do País, de substituir o vestibular pelas notas do Enem a partir de 2012.

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