''Nós, do PT'', diz Marina, em ato falho

Senadora do PV admite que não esqueceu sigla e afirma que diferenças serão visíveis na campanha

Chico Siqueira, ARAÇATUBA, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

Pré-candidata do PV à Presidência, a senadora Marina Silva cometeu ato falho ontem, quando foi questionada sobre a possibilidade de contrapor sua estratégia eleitoral à dos adversários - José Serra, do PSDB, e a petista Dilma Rousseff - e demonstrou que ainda não esqueceu o PT.

"Nós, do PT...", disse a senadora, que saiu do partido em agosto de 2009 para ingressar no PV. Ao perceber a gafe, ela consertou: "Digo isso porque fui do PT durante 30 anos. Eu sempre brinco: estou fazendo luto. É um processo doloroso, mas ao mesmo tempo animador, por estar com os companheiros do PV."

A senadora contou ao Estado que ainda sente saudades dos antigos aliados petistas e classificou sua saída do PT de "processo doloroso", ainda não concluído.

A senadora afirmou que tem antigos amigos no partido, com os quais espera contar nesta campanha, referindo-se ao senador Jorge Viana (PT-AC) e o governador do Acre, Tião Viana (PT). "Ainda tenho o Jorge e o Tião, que ainda bem vamos estar juntos. O (ministro Luiz) Dulci (da Secretaria-Geral da Presidência) é meu amigo."

Ela acrescentou: "É um processo doloroso, todos meus amigos e meus companheiros vêm dessa relação de 30 anos." Não foi fácil, segundo Marina, tomar a decisão de sair do PT. "As pessoas, que são minhas amigas e considero meus companheiros, continuo com o mesmo respeito e com o mesmo carinho."

A senadora também citou o deputado Fernando Gabeira (PV-RJ), que ameaça deixar de ser candidato ao governo do Rio. "Tenho a alegria de estar com Gabeira, com o Fabio Feldmann", disse, citando o candidato do PV ao governo de São Paulo.

Após dizer que não carrega mágoas do antigo partido, Marina apontou as causas que causaram o rompimento, destacando que as "diferenças" se tornarão visíveis durante a campanha. "Na disputa eleitoral vamos defender ideias que o PT não foi capaz de integrar, como a questão da sustentabilidade", afirmou. "Foi por isso que saí do PT, porque não foi capaz de atualizar a visão de mundo. O PV está se dispondo a esse projeto. O PV não tem as respostas, ninguém no mundo tem, mas infelizmente os outros partidos não estão sequer considerando ter algo estratégico para o desenvolvimento econômico e social do País."

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