Nos DPs, funcionárias desconhecem legislação

Na última semana, a reportagem esteve em dez delegacias da capital, seis especializas e quatro comuns

Fabiana Cambricoli e Isabela Palhares, O Estado de S.Paulo

07 de agosto de 2016 | 03h00

SÃO PAULO - Os vários erros pelos quais passam as vítimas de violência doméstica foram confirmados pelo Estado. Na última semana, a reportagem esteve em dez delegacias da capital, seis especializas e quatro comuns.

Na 4.ª DDM (zona norte), o balcão de atendimento ficou vazio por pelo menos 40 minutos porque todas as funcionárias haviam saído para almoçar ao mesmo tempo. No atendimento, as funcionárias tiveram dificuldades de informar o que caracteriza violência psicológica no contexto da Lei Maria da Penha. No 19.º DP (Vila Maria), funcionárias disseram que violência em namoro não pode ser enquadrada na legislação – o que é um erro – e o registro de um BO sem testemunha da agressão “não daria em nada”.

Na segunda-feira, uma doméstica de 41 anos demorou mais de dez horas para registrar na 2.ª DDM (Vila Clementino) um BO pelas ameaças que vem sofrendo do ex-marido há quase um ano e meio. Ela chegou às 10 horas e só conseguiu sair da delegacia com o boletim às 20h30. A Secretaria da Segurança Pública (SSP) informou que o registro foi feito às 15h. Mas a reportagem viu que, às 15h30, a mulher foi orientada a voltar naquele mesmo dia para informar seu endereço e o do agressor para que a queixa pudesse ser registrada. 

Em nota, a SSP informou que as falhas serão “devidamente apuradas” pela Polícia Civil. Disse também que os policiais recebem treinamento específico durante a formação na Academia de Polícia. Também informou que “reconhece o desafio de combater esses crimes” e, por isso, desenvolve ações para reduzi-los. 

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