Nos Estados, poder de transferência de Lula é limitado

Análise

José Roberto de Toledo, O Estado de S.Paulo

04 de setembro de 2010 | 00h00

Transfusão eleitoral não é o mesmo que transferência de votos. As pesquisas demonstram que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem capacidade de repassar a Dilma Rousseff (PT) a sua popularidade. Pelo menos 2 em cada 3 eleitores da petista votam nela porque é a garantia de continuidade do governo Lula. Mas e nas eleições estaduais?

A pedido do Estado, o Ibope incluiu uma questão na mais recente pesquisa que ajuda a avaliar o poder de transferência do presidente para governadores e senadores. O resultado mostra que o poder da "onda vermelha" é limitado. Apenas 28% dos entrevistados responderam que o apoio de Lula a um dos postulantes "aumenta muito sua vontade de votar nesse candidato". Outros 13% responderam que "aumenta um pouco". Mas 5% dizem que "diminui".

Assim, o "valor líquido" do apoio presidencial atinge cerca de um terço do eleitorado. Mas boa parte desses eleitores já estava predisposta a votar nos candidatos ao governo e ao Senado apoiados pelo presidente: é que metade deles é simpatizante do PT.

Se excluirmos essa parcela, sobram entre 15% e 20% dos eleitores que estariam mais propensos a mudar seu voto em favor de um candidato da base aliada nos Estados. Não é desprezível, mas tampouco é decisivo.

Especialmente se levarmos em conta que o terço de eleitores que se deixariam influenciar pelo apoio presidencial se distribui de modo muito desigual pelas regiões. Ele é duas vezes maior no Nordeste do que no Sul, por exemplo.

Grande parte dos candidatos nordestinos a governador que são da aliança de Lula já lidera as pesquisas. Lá, o poder de influência presidencial deve fazer mais diferença na disputa por vagas no Senado. Exemplo disso é a ascensão de Armando Monteiro (PTB) em Pernambuco, e seu empate com Marco Maciel (DEM), criticado por Lula esta semana.

No Sudeste, só 28% dos eleitores dizem que o apoio de Lula aumentaria a chance de votar num candidato a governador ou senador apoiado por ele. Descontados os petistas, sobrariam de 10% a 15% de eleitores que poderiam mudar seu voto e escolher, por exemplo, Aloizio Mercadante (PT) em São Paulo.

É ESPECIALISTA EM USO DE ESTATÍSTICAS

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