Nos EUA, ex-integrante de gangue cuida da vizinhança

A criação de oportunidades de emprego, renda e escolarização para jovens pode contribuir para a prevenção da violência nos municípios, de acordo com as análises de pesquisadores e gestores que participaram das últimas conferências da reunião anual do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, em Vitória. Ontem, um gestor da polícia americana relatou a experiência da cidade de Providence, onde jovens ex-integrantes de gangues participam do patrulhamento comunitário para reduzir a criminalidade. A presença de mais de cem secretários municipais de Segurança no evento mostrou o crescimento das pastas voltadas para o tema nas cidades, superando a ideia de que apenas os Estados têm responsabilidade. "Há uma mudança no mundo, que tem hoje a maioria das pessoas vivendo em cidades. Cresce o medo do crime. Precisamos do engajamento da comunidade", defendeu durante uma conferência o coronel Dean Esserman, chefe de Polícia de Providence. Ele recrutou jovens do crime justamente para combatê-lo. Esserman contou também que mobilizou empresários para criar empregos temporários para jovens ociosos.Em outra conferência, Patrícia Rivero, pesquisadora do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada, mostrou como os estigmas e a falta de serviços como transporte público afastam jovens em favelas das oportunidades dos grandes centros financeiros. "A empregabilidade dos jovens de favelas é muito menor do que os do resto da cidade", acrescentou Jailson de Souza e Silva, coordenador do Observatório das Favelas. Pesquisa do Observatório, com 234 jovens envolvidos com o tráfico de drogas no Rio, mostrou que 85% dos entrevistados têm entre 13 e 18 anos. Pouco mais de 97% são meninos, que trocam a escola pela socialização em facções. Embora a renda média no tráfico tenha caído de dez para três salários mínimos nesta década, a maioria dos entrevistados respondeu que escolhe o crime para ganhar dinheiro, por ter dificuldades de conseguir emprego.A pedido do Ministério da Justiça, o fórum vai realizar um estudo das condições de vida e propor estratégias de prevenção do envolvimento de jovens brasileiros com a criminalidade. O estudo deve ficar pronto em agosto de 2010. O próximo fórum será realizado em São Paulo, em março.

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