Nos EUA, Marina faz duro ataque à diplomacia pró-Irã de Lula

''Brasil é a única democracia ocidental que tem dado audiência para Ahmadinejad'', diz [br]pré-candidata do PV

Patrícia Campos Mello, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2010 | 00h00

A pré-candidata do Partido Verde à Presidência, senadora Marina Silva, criticou ontem a política do governo Lula de aproximação com o presidente iraniano Mahmoud Ahmadinejad.

"O Brasil é a única democracia ocidental que tem dado audiência para o Ahmadinejad. A própria China não tem dado, nem a Rússia", disse Marina, que está em Washington para participar de um evento de comemoração dos 40 anos do Dia da Terra.

Um dos poucos países do mundo que se opõem à adoção de sanções na ONU contra o programa nuclear iraniano, o Brasil tem uma atitude preocupante na avaliação de Marina. "O Irã tem desrespeitado direitos humanos, ali tem presos políticos, pessoas são executadas."

Marina foi igualmente crítica com a atitude do governo Lula em relação ao desrespeito aos direitos humanos em Cuba. "Se de fato somos amigos, temos de fazer ver que a revolução se completa com a democracia", afirmou. "Se os direitos humanos são importantes para os brasileiros, também são importantes para os cubanos."

Protocolo. De acordo com a senadora, o Brasil deveria assinar o protocolo adicional da Agência Internacional de Energia Atômica, que prevê inspeções mais frequentes e profundas nas instalações nucleares de países signatários do Tratado de Não-Proliferação Nuclear. O governo brasileiro tem dito que não vai assinar o protocolo.

"A atitude de ainda não ter assinado o protocolo adicional faz com que o País fique numa situação bastante delicada", disse ela. "A gente deveria assinar, não fazê-lo é que causa estranhamento, já que nós temos como princípio o uso para fins pacíficos."

Hoje, Marina fala no show de 40 anos do Dia da Terra, no National Mall, onde os organizadores esperam a presença de 250 mil pessoas e à noite se encontra com o diretor do filme Avatar, James Cameron.

Ontem, a pré-candidata do PV se reuniu durante 20 minutos com Lisa Jackson, diretora da agência de Proteção ao Meio Ambiente dos Estados Unidos, e discutiu medidas para o combate ao aquecimento global.

Segundo Alfredo Sirkis, candidato a deputado pelo PV e coordenador da campanha de Marina, a pré-candidata torce pelo sucesso do governo Obama - "ao contrário do presidente Lula, que se sentia mais à vontade com o ex-presidente George W. Bush", observou. "É fundamental que nós apoiemos as iniciativas progressistas do governo Obama."

Marina voltou a lamentar a saída do pré-candidato do PSB Ciro Gomes da disputa presidencial. "A operação de guerra que foi feita para inviabilizar a candidatura do Ciro Gomes é uma demonstração de que, muitas vezes, as pessoas falam de democracia, mas quando isso põe em risco seus projetos, elas não sabem lidar com alternância de poder."

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