Nos EUA, só inserções entre os programas

Sem horário gratuito em rádio ou TV, partidos têm de batalhar pelos recursos, que candidatos milionários bancam de seu próprio bolso

Gustavo Chacra, O Estado de S.Paulo

15 de agosto de 2010 | 00h00

Não existe horário eleitoral gratuito nos Estados Unidos. Os candidatos são obrigados a comprar espaço nas TVs e rádios para fazerem campanha. Assim, as programações normais dos canais americanos não sofrem interrupções. As propagandas entram no ar entre um anúncio de uma marca de refrigerante e de um banco.

Para fazer campanha, portanto, os candidatos precisam ir àluta em busca do máximo possível de dinheiro. E os gastos são feitos, muitas vezes, em Estados onde há divisão entre republicanos e democratas, como a Flórida e Ohio. Não faz sentido para um republicano que disputa a presidência investir no Texas, onde certamente vencerá, ou em Nova York, onde perderá. Barack Obama se destacou, na campanha presidencial, justamente por montar uma estratégia inédita de doação via internet, com a qual arrecadou milhões a mais que o rival John McCain.

Candidatos muito ricos, como o magnata das comunicações e atual prefeito de Nova York, Michael Bloomberg, tiram dinheiro do próprio bolso para sua propaganda na TV, sem necessidade de arrecadar verbas.

E entidades não partidárias podem gastar em propaganda mesmo não sendo oficialmente ligadas a uma candidatura. Nos EUA, são autorizados comerciais atacando os rivais, não apenas na política, mas na briga por mercado - seja fast-food, roupas e qualquer outra atividade. Os candidatos, em vez de se envolverem diretamente nos ataques, deixam para estas instituições o serviço sujo de falar mal do adversário.

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