Nos lava-rápidos, uma enxurrada de clientes

Serviço de recuperação de carros pode custar R$ 2 mil

Adriana Carranca, SÃO PAULO, O Estadao de S.Paulo

11 Fevereiro 2009 | 00h00

Está "chovendo serviço" no lava-rápido de Joseilda Alves de Barros, de 25 anos, há quatro deles no comando de seu próprio negócio, cujo lucro aumenta na mesma medida do volume de água que cai sobre a região do Morumbi, zona sul de São Paulo. É uma das áreas mais afetadas por enchentes. Assim que se deu conta disso, ela passou a oferecer um serviço especializado em recuperar carros de clientes afetados pela tragédia. Somente em dezembro, recebeu 58 carros enlameados e cheirando a mofo. Em janeiro, a procura pelo serviço, que custa até R$ 2 mil, aumentou ainda mais. Ontem seis novos clientes bateram à porta de seu Fast Clean, na Avenida Giovanni Gronchi. Joseilda faz o serviço completo. "Desmonto o carro todinho, aspiro a água com um equipamento especial, de alta sucção, e limpo cada gota que sobra com um paninho, troco todo o feudo (manta sob o carpete), tiro o carpete e coloco para secar. Depois, passamos um produto para higienizar os tecidos, matando fungos e bactérias, e um antiferrugem sobre a lataria", diz. O serviço leva de dois e três dias para ficar pronto. Dependendo do nível da água, no entanto, é preciso trocar a espuma dos estofados. Foi o caso do Fiat Stilo novinho em folha, mas afogado em lama, que chegou ontem ao seu lava-rápido. O cliente teria de desembolsar R$ 1.280 em espuma e R$ 650 em mão-de-obra. Outros lava-rápidos, como o Dry Wash, oferecem apenas o serviço de higienização - em outras palavras, aliviam aquele cheiro de cachorro molhado que fica impregnado nos bancos e carpete. Custa, em média, R$ 250. "Mas, para tirar mesmo o cheiro, é preciso repetir o serviço duas ou três vezes", diz Roseli Peres, gerente de Operações da empresa. SEGURO ENCHENTE A cobertura contra enchentes faz parte do seguro compreensivo básico de automóvel - aquele que inclui também colisão, incêndio e roubo ou furto - em grande parte das seguradoras, segundo a Superintendência de Seguros Privados (Susep). Já a cobertura específica para incêndio e furto ou roubo, que não inclui colisão, costuma excluir também alagamentos. No período das chuvas, entre dezembro e fevereiro, as seguradoras chegam a registrar um aumento de 25% nos sinistros. Neste ano, a Porto Seguro, uma das maiores do setor, registrou crescimento de 30% em dezembro e janeiro nos pedidos de indenização por alagamento, com perda parcial ou completa do automóvel. O valor só é pago, no entanto, após avaliação da seguradora e se ficar comprovado que o motorista não "agravou o risco". "O que não pode acontecer é o motorista tentar atravessar uma rua alagada onde ele vê que outros carros falharam", diz o diretor de Automóvel da Porto Seguro, Marcelo Sebastião. "Esse tipo de responsabilização, no entanto, é muito difícil de comprovar." Mas, o valor da franquia muitas vezes impede o cliente de acionar o seguro: entre R$ 1.400 e R$ 3 mil. Compensa apenas quando o segurado tem perda total, o que só ocorre em 1% dos casos de enchente. FRASE Marcelo Sebastião Diretor de Automóvel da Porto Seguro "O que não pode acontecer é o motorista tentar atravessar uma rua alagada onde ele vê que outros carros falharam. Esse tipo de responsabilização, no entanto, é muito difícil de comprovar."

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