Nos locais campeões, o risco de danos à saúde

Especialista afirma que ruído alto pode provocar problema físico e psicológico

Fernanda Aranda e Clarissa Thome, O Estadao de S.Paulo

14 de setembro de 2009 | 00h00

Sirene, buzinas, escapamentos ruidosos. Pessoas, camelôs, polícia. Carros, caminhões, sinos. Gritaria. Mais buzinas. Silêncio é raro até nas madrugadas e, algumas esquinas da cidade de São Paulo, tem a função de reunir todo esses tipos de sons da metrópole. Deve ser por isso que aparecem como campeãs no ranking do ruído paulistano.

Foi o Centro Auditivo Telex - que oferece tratamento auditivo - que elegeu os cruzamentos campeões de barulho. Por meio da reclamação dos pacientes, realizou medição nos cruzamentos paulistanos e atestou as quatro esquinas que mais machucam o ouvido na capital. Segundo os especialistas, o suportável para o ouvido humano vai até 55 decibéis durante o dia. Quem passa pela Avenida Paulista com Rua da Consolação, por exemplo, é atingido por 96 decibéis. A Rua 25 de Março, o maior shopping a céu aberto, também compromete os ouvidos com os gritos de promoções. No tradicional comércio de rua, na esquina com a Ladeira Porto Geral, a intensidade alcançou 105 decibéis. Na Avenida República do Líbano com a Rua Manoel da Nóbrega, no Ibirapuera, foram registrados 100 decibéis (veja no quadro acima).

Apesar da "ofensa" auditiva provocada pelas três esquinas, a faixa de campeã ficou com a Radial Leste. Lá o barulho alcançou 110 na escala, perto do Viaduto Guadalajara, comparado a um tiroteio. "Acima de 85 decibéis é prejudicial à saúde auditiva e pode acarretar algum prejuízo, como desconforto ou zumbido", afirma Isabela Pereira Gomes, fonoaudióloga do Telex. "Pessoas que ficam expostas diariamente a essa intensidade estão sujeitas a problemas físicos e psicológicos, já que o barulho é um componente para o stress urbano."

DOR DE CABEÇA

No Rio, bares e restaurantes - seguidos por cultos religiosos, academias e clubes, e obras - são causa de grande dor de cabeça para quem mora na cidade. Pelo menos de acordo com o ranking da Secretaria Municipal de Meio Ambiente para as atividades que mais recebem reclamações por poluição sonora. De janeiro a julho deste ano, o órgão recebeu a média de 130 queixas mensais.

"É difícil estabelecer o bairro mais barulhento, porque é sazonal. No verão, a zona sul dá mais trabalho: as pessoas vão para a rua à noite, e a confusão e o nível de ruído nos bares atrapalha. Mas, quando há a inauguração de uma casa noturna em Campo Grande, zona oeste, por exemplo, as reclamações convergem para lá", diz Elaine Barbosa, coordenadora de Fiscalização Ambiental da secretaria.

Em 2007, a Coordenação dos Programas de Pós-graduação de Engenharia, da UFRJ, fez medições em oito pontos para analisar o nível de ruído do trânsito em Copacabana - a média no bairro foi de 72,3 decibéis. A esquina da Avenida Nossa Senhora de Copacabana com Rua Figueiredo Magalhães foi o ponto mais crítico: 74,5 decibéis.

Na semana passada, as secretarias de Meio Ambiente e de Urbanismo assinaram resolução para regulamentar outro motivo de queixas de quem mora na cidade - as sinaleiras das garagens. Desde 2007, não havia lei que estabelecesse parâmetros para os alarmes funcionarem. Agora, elas devem ficar desligadas das 20h às 6h. E o volume máximo é de 55 decibéis.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.