''Nós não somos ambulância''

Segundo taxistas, Metrô transfere responsabilidade para eles

Luísa Alcalde, O Estadao de S.Paulo

11 de dezembro de 2008 | 00h00

O taxista José Jesuíno dos Santos, de 62 anos, que trabalha ao lado da Estação Sé, no centro, afirma que, junto com os colegas, transporta por dia, em média, cinco passageiros que passam mal ou caem nas estações. "Três meses atrás os seguranças do Metrô colocaram no meu carro um homem que estava mal para eu levar até a Santa Casa. Só que no meio do caminho percebi que ele estava enfartando." Santos diz que teve de parar uma viatura da Polícia Militar para abrir caminho no trânsito e assim chegar mais rápido ao hospital. "Fiquei nervoso, claro. E se ele empacotasse dentro do meu carro?", questiona. Não foi só essa a situação delicada pela qual ele passou com um doente a bordo embarcado pelo Metrô em seu veículo."Outra vez uma grávida estava com muitas dores. Também tive de parar uma ambulância", conta. Segundo ele, em nenhuma das duas situações havia um funcionário do Metrô junto.O temor de Santos é compartilhado pelos colegas que fazem ponto ao lado da Estação Santa Cruz, na Vila Mariana. Júlio Augusto Arruda, de 40 anos, acha que o Metrô transfere a responsabilidade do socorro para os taxistas. "Nós não somos ambulância. E se a gente se recusa a levar ainda podemos ser acusados de omissão de socorro. E se acontecer algo mais grave, quem vai responder por isso?"Segundo ele, os seguranças nem sempre vão junto. Adriano Marchetti, de 26 anos, pensa como Arruda. Ele também faz ponto na Estação Santa Cruz. Diz que não leva mais passageiro encaminhado pelo Metrô desacompanhado por temer imprevistos. Walter Pires, de 51 anos, coordenador do ponto na Estação Patriarca do Metrô, na zona leste, diz que, por semana, ele e os colegas transportam cerca de 10 pessoas para o Pronto-Socorro Municipal da Vila Nhocuné que passam mal dentro do metrô. "Em situações graves os funcionários acompanham a gente", afirma.

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